Artigo de Olga Regina Zigelli Garcia, professora e doutora

O chamado “teto de vidro” refere-se às barreiras invisíveis que dificultam o acesso das mulheres a posições de liderança. Apesar dos avanços educacionais e da maior participação feminina no mercado de trabalho, elas seguem sub-representadas nos cargos estratégicos no Brasil. O desafio central não é apenas acessar esses espaços, mas exercer neles poder real de decisão.
Nesse contexto, a gestão do professor Irineu na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) instituiu uma experiência inovadora. Antes mesmo da formação da chapa à reitoria, foi assumido o compromisso com a paridade de gênero. Ao assumir a gestão em 2022, a universidade passou a ter, pela primeira vez em sua história, 50% dos cargos estratégicos ocupados por mulheres.
O diferencial da iniciativa, porém, foi além da dimensão numérica. As gestoras passaram a exercer governança efetiva, com autonomia para conduzir políticas institucionais, gerir orçamentos e representar a universidade. Entre essas lideranças estão Olga Regina Zigelli Garcia, Dilceane Carraro, Débora de Oliveira, Marilise Sayão, Simone Sobral Sampaio Souza e Sandra Regina Carrieri de Souza, além de Andréa Cristina Trierweiller, Andréa Búrigo Ventura, Fernanda Geremias Leal, Susan Aparecida de Oliveira, Camila Pagani e Karla Zapelini Kurschus.
Ao transformar paridade em poder real, a UFSC fortaleceu sua qualidade democrática, ampliou a inclusão nas decisões e se consolidou como referência nacional em equidade na governança universitária. A experiência demonstra, na prática, que liderança não tem gênero.






