Artigo de Tânia Larson, Vice-presidente da Câmara de Vereadores de Joinville

A defesa da causa animal tem avançado em Joinville graças a um fator que muitas vezes passa despercebido no debate público: a cooperação entre instituições e a participação ativa da sociedade.
Grande parte das conquistas nessa área nasce da atuação de protetores independentes, organizações da sociedade civil e cidadãos que vivenciam diariamente a realidade do abandono e dos maus-tratos. São essas pessoas que ajudam a identificar problemas e apontar caminhos, permitindo que o poder público desenvolva políticas mais efetivas e conectadas com a realidade.
É nesse ponto que o trabalho conjunto entre Legislativo e Executivo se torna fundamental. O Legislativo tem o papel de ouvir a sociedade, transformar demandas em propostas e fiscalizar as ações do poder público. Já o Executivo possui a estrutura administrativa e técnica necessária para transformar essas propostas em ações concretas.
Quando essa parceria funciona de forma equilibrada, as políticas públicas deixam de ser apenas intenção e passam a produzir resultados reais.
A experiência de Joinville na causa animal é um exemplo claro desse processo. O município se consolidou como referência em Santa Catarina na formulação de políticas voltadas ao bem-estar animal, sustentadas por uma legislação específica criada em 2011 e que vem sendo aperfeiçoada ao longo dos anos para acompanhar as novas demandas da sociedade.
Um exemplo prático dessa política estruturada são os mutirões de microchipagem realizados desde 2021. Mais do que uma ação pontual, eles representam um importante instrumento de organização e planejamento, permitindo a identificação dos animais, a responsabilização dos tutores e a melhoria das estratégias de cuidado.
A simplificação dos procedimentos para microchipagem e castração também contribuiu para ampliar significativamente o alcance dessas políticas. Com processos mais acessíveis à população, o número de atendimentos praticamente triplicou ao longo dos últimos anos.
Além da identificação dos animais, os mutirões permitem o encaminhamento para castração, uma medida essencial para o controle populacional e para a redução do abandono. Trata-se de uma política que exige continuidade e planejamento — algo que só se torna possível quando há cooperação entre os Poderes e compromisso com resultados de longo prazo.
Neste ano, a ampliação dessas ações com a disponibilização de vacinação antirrábica representa mais um passo importante. A integração entre microchipagem, castração e vacinação demonstram maturidade na construção da política pública, gerando benefícios tanto para o bem-estar animal quanto para a saúde pública.
Experiências como essa mostram que políticas públicas consistentes são resultado de diálogo, participação social e cooperação institucional.
A política pode e deve ser um espaço de debate, mas também precisa ser um espaço de construção. Quando diferentes instituições trabalham com propósito comum, quem ganha é a cidade — e, neste caso, também os animais que dependem do cuidado coletivo da nossa sociedade.






