Artigo de Gustavo Zinder, realizador audiovisual, diretor da Contexto Filmes

O Brasil volta a ocupar espaço de destaque no cenário internacional com quatro indicações de O Agente Secreto ao Oscar. Pelo segundo ano consecutivo, o país marca presença em uma das principais premiações do mundo, consolidando um momento histórico para o cinema nacional.
O setor audiovisual brasileiro gerou cerca de R$70 bilhões para a economia e sustentou mais de 600 mil empregos em 2024, evidenciando seu papel como uma indústria estratégica para o desenvolvimento econômico e cultural do país. Cada produção envolve equipes técnicas, artistas, fornecedores, locações, serviços de alimentação, transporte e diversos outros setores. Quando um filme ganha projeção internacional, toda essa cadeia produtiva se fortalece.
Santa Catarina possui produções recentes que demonstram a capacidade técnica e criativa do audiovisual no estado. A pergunta que precisa ser feita, no entanto, é direta: quantas produções locais foram efetivamente assistidas por quem lê este artigo? Por que, muitas vezes, enaltecemos filmes e séries vindos de outros centros do país enquanto deixamos de reconhecer a potência das histórias produzidas aqui?
O momento é favorável para ampliar esse debate. O sucesso de O Agente Secreto no Oscar cria um ambiente de entusiasmo e reconhecimento internacional. Todos ganham com essa visibilidade: profissionais da área, empresas patrocinadoras, poder público e, claro, quem assiste.
Para que Santa Catarina aproveite esse ciclo virtuoso, é fundamental que políticas públicas acompanhem o crescimento do setor. O Programa de Incentivo à Cultura (PIC), mecanismo estadual semelhante à Lei Rouanet em âmbito nacional, nasceu com a expectativa de estruturar e fortalecer a produção cultural catarinense. No entanto, o programa está paralisado há mais de um ano, sem previsão de retomada. Assim como diversos editais de fomento no estado e em muitos municípios.
Enquanto o Brasil consolida sua presença no Oscar pelo segundo ano consecutivo, Santa Catarina precisa decidir se será apenas espectadora desse movimento ou protagonista de sua própria história. O potencial existe. O talento está presente. Os resultados econômicos são comprovados. Resta compreender que investir em cinema não é apenas apoiar a arte, mas estimular emprego, turismo, identidade e desenvolvimento sustentável. O momento é agora.






