27/03/2026

O abismo entre o susto e o nocaute: a tecnologia invisível que salva empresas em 2026. Por Felipe Fernandes

Artigo de Felipe Fernandes, CEO da Codefique

Em junho de 2026, os olhos do Brasil estarão voltados para os gramados da América do Norte. Mas, enquanto a torcida vibra com a Copa do Mundo, nos bastidores das empresas de Santa Catarina o jogo é outro e muito mais silencioso. Enquanto o país para nos feriadões ou se distrai com o calendário eleitoral, os sistemas das nossas indústrias, portos e fintechs continuam processando pedidos, liberando cargas e realizando transações críticas.

O grande problema é que incidentes tecnológicos não escolhem horário comercial para acontecer; eles adoram o silêncio das madrugadas de feriado ou a euforia de um gol da seleção. É exatamente nesses momentos de “atenção dividida” que o empresário descobre se construiu uma operação resiliente ou se vive sob uma esperança tecnológica frágil.

Muitos CEOs ainda enxergam a sustentação de software como um custo ou, no máximo, um mal necessário. Gosto de usar uma analogia simples que todo dono de empresa entende: a sustentação é como o seguro de um carro. Você investe mensalmente esperando nunca precisar usá-lo, mas, quando a colisão acontece, ele é a única coisa que impede o prejuízo total. No mundo digital, essa colisão é o incidente crítico que retira o sistema do ar.

Vivi isso de perto em um dos grandes portos do nosso estado, onde o sistema de portaria simplesmente colapsou. Caminhões empilhados, logística travada e uma pressão gigantesca. Sem uma equipe que conhecesse o ecossistema de ponta a ponta, foram necessárias dez horas de uma sala de guerra exaustiva, com trinta pessoas tentando descobrir o que houve, para entender que a falha não era no código, mas em um equipamento de armazenamento. Sem esse “mapa da mina”, a empresa fica refém do caos.

A agilidade que o mercado moderno exige não permite mais esse tipo de lentidão. Imagine o caso de uma fintech em pleno crescimento que, ao subir uma atualização, vê a funcionalidade de pagamentos via Pix parar de funcionar. Em minutos, a reputação da marca começa a ser corroída nas redes sociais. A diferença entre o desastre e a solução, nesse cenário, não foi a sorte, mas a existência de um time de prontidão que já tinha intimidade com o código. Não houve perda de tempo tentando entender quem mexeu por último ou como o sistema foi montado. A resiliência digital não garante que o erro nunca vá acontecer, mas dita a velocidade da sua volta por cima. Quem conhece o sistema resolve em minutos; quem não conhece, passa horas apenas tentando entender o problema.

Outro risco invisível para as empresas catarinenses são os chamados sistemas órfãos. São aquelas soluções que foram implantadas por parceiros que não estão mais presentes, transformando o código em uma “caixa preta” que ninguém ousa tocar.

Recordo-me de uma gigante do setor têxtil que enfrentou um vazamento crítico de credenciais de segurança justamente no dia em que o seu parceiro de tecnologia celebrava um marco interno importante. Se não houvesse uma parceria de sustentação sólida, capaz de abandonar o brinde para intervir em sistemas complexos e legados fora do horário comercial, o dia de festa teria terminado em um pesadelo jurídico e operacional. Ter alguém que guarda a sua retaguarda enquanto você foca no crescimento é o que separa as empresas que lideram das que apenas tentam sobreviver aos imprevistos.

Em 2026, a disponibilidade contínua deixou de ser um diferencial para se tornar o requisito mínimo de sobrevivência. No mercado de software como serviço ou na indústria 4.0, o cliente não tolera mais a indisponibilidade. Se o sistema cai e demora a voltar, a experiência do usuário é destruída e a confiança se esvai.

A mensagem para o empresário é: não adianta tentar treinar o exército quando a guerra já começou. A tecnologia invisível da sustentação, aquela que ninguém vê quando tudo funciona bem, é a única que realmente aparece para salvar a empresa quando tudo dá errado. Antes de buscar a próxima grande inovação mirabolante, certifique-se de que a sua base é inabalável. Afinal, no jogo do mercado, ganha quem consegue se manter em campo até o apito final.

Os colunistas são responsáveis pelo conteúdo de suas publicações e o texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Upiara.

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