09/03/2026

BR-282: Não há mais espaço para “meias reformas”. Por André Callai

Artigo de André Callai, jornalista.

Quantas vidas ainda precisaremos perder para duplicar a BR-282? Quem percorre a rodovia do Oeste ao Litoral sabe que o problema não está em um ponto isolado, mas em praticamente toda sua extensão. Nos últimos anos, vimos apenas melhorias pontuais: recapeamentos localizados e intervenções paliativas. Enquanto isso, o fluxo de veículos só aumenta, o transporte de cargas cresce e o agronegócio do Oeste segue em expansão. A rodovia, porém, permanece com a mesma estrutura de quando foi projetada.

A verdade é simples: a BR-282 não suporta mais remendos. Sem uma verdadeira duplicação, nada muda de forma estrutural. E o resultado disso tudo é previsível e doloroso: acidentes graves e vidas perdidas.

A duplicação da BR-282 precisa deixar de ser promessa recorrente e se tornar prioridade real. Não há mais espaço para “meias reformas”. Não basta reforçar a sinalização ou pintar novas faixas no asfalto. É necessário viaduto, elevado, terceiras faixas e engenharia compatível com o volume de tráfego que circula diariamente.

Santa Catarina é um dos estados mais produtivos do país, e a BR-282 é o principal corredor que liga o Oeste produtivo aos portos e à Grande Florianópolis. É a verdadeira integração entre o interior e o litoral. Quando essa ligação falha, toda a economia sente.

Um dos exemplos mais emblemáticos dessa realidade é o ‘‘Trevão de Irani’’, onde o eixo da BR-282 encontra a BR-153, cenário conhecido há anos pelo alto número de acidentes graves. Não se trata de fatalidade imprevisível, mas de um problema estrutural que exige solução definitiva.

Ao longo da BR-282 existem diversos trechos que atravessam áreas urbanas, com acessos diretos, retornos improvisados e pedestres dividindo espaço com veículos pesados. A rodovia não é apenas um eixo de passagem: ela corta comunidades, interfere na dinâmica das cidades e precisa de intervenções que organizem o tráfego local sem comprometer a segurança.

O gargalo é de ponta a ponta. Na saída da Grande Florianópolis, o trecho entre Florianópolis e Alfredo Wagner é marcado por longas subidas, curvas sinuosas e poucos pontos de faixa dupla. Congestionamentos são frequentes. Caminhões reduzem drasticamente a velocidade nas serras e ultrapassar se torna uma tarefa arriscada. Ir para o Oeste é demorado. Chegar à Capital também. Para um estado que depende da integração regional, isso representa um entrave logístico sério.

O próprio Governo do Estado já demonstrou que é possível agir e fazer diferente. Em Maravilha, uma obra em rodovia federal foi executada pelo Estado após articulação e mobilização da Bancada do Oeste na Assembleia Legislativa. Aquilo foi luta e conquista. Mostrou que, quando há vontade política, soluções aparecem.

Duplicar a BR-282 não é luxo nem exagero. É medida de segurança viária, de eficiência econômica e, sobretudo, de respeito às vidas que dependem dessa estrada todos os dias. Cada acidente evitado significa uma família preservada. Cada trecho duplicado significa menos risco e mais competitividade.

A manutenção resolve problemas imediatos, mas não corrige a raiz da questão. Santa Catarina precisa tratar a BR-282 como obra estruturante e estratégica. Porque não se trata apenas de asfalto. Trata-se de desenvolvimento, de integração e, principalmente, de vidas.

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