03/03/2026

A UFSC precisa mudar. Por Amir Antônio Martins de Oliveira Júnior

Artigo de Amir Antônio Martins de Oliveira Júnior, professor

A UFSC é, sob qualquer critério técnico, uma das principais universidades do Brasil. Os indicadores nacionais e internacionais de desempenho colocam a instituição entre as dez melhores do país e entre as cinco universidades federais com melhor avaliação geral. Destaca-se, especificamente, nas dimensões de ensino, internacionalização, qualidade da pesquisa, sustentabilidade e relacionamento com o setor produtivo.

Esse desempenho evidencia a qualificação de seu corpo discente, técnico e docente, bem como a capacidade institucional instalada em termos de infraestrutura e a competência em formação e produção acadêmica. No entanto, os resultados positivos nas atividades-fim contrastam com fragilidades recorrentes nos processos de gestão e na administração da vida universitária cotidiana.

Existe a UFSC que funciona: aquela que entrega excelência acadêmica, que inova, que cresce em qualidade, que é reconhecida nacional e internacionalmente. E existe a UFSC que se arrasta: aquela que enfrenta dificuldades na gestão cotidiana, na manutenção de sua infraestrutura, na execução orçamentária, na modernização de processos, na tomada de decisões, no relacionamento e atendimento de necessidades da sociedade.

O principal fator limitante não é a competência técnica da comunidade universitária, mas a ineficiência na alocação de recursos, no planejamento institucional e na execução de políticas internas. Observa-se um descompasso entre a capacidade acadêmica da Universidade e sua capacidade gerencial, especialmente na manutenção e modernização de infraestrutura física e digital, na gestão de contratos e serviços, na implementação de políticas de inclusão e permanência, na capacidade de construção de soluções, na valorização e reconhecimento das necessidades da comunidade interna, e na articulação com a sociedade.

A distância entre a UFSC que funciona e a UFSC que se arrasta não decorre exclusivamente da redução de recursos públicos ou dos novos contextos sociais pós-pandemia. Ela vem se ampliando à medida que cresce o descompasso entre as necessidades da sociedade e a capacidade administrativa da universidade de envolver a comunidade na busca de soluções, definir prioridades, planejar ações e executar decisões de forma tempestiva e eficiente.

Quando falhamos na manutenção da infraestrutura, na execução de rotinas administrativas, quando não modernizamos sistemas, quando não fortalecemos políticas de inclusão e permanência, quando não viabilizamos recursos financeiros, não estamos apenas enfrentando dificuldades operacionais — estamos desperdiçando parte do nosso próprio potencial.

Entre os principais desafios identificam-se:

  • modernização e manutenção da infraestrutura;
  • aprimoramento dos mecanismos de governança e transparência;
  • melhoria dos fluxos administrativos e redução de retrabalho;
  • fortalecimento das políticas de inclusão, acessibilidade e permanência;
  • ampliação de oportunidades e da participação da comunidade nas atividades de ensino, pesquisa e extensão;
  • qualificação do relacionamento institucional com parceiros externos e com a sociedade.

A superação desse cenário exige revisão de rotinas, definição clara de metas, priorização estratégica e fortalecimento da cultura de responsabilidade institucional. O objetivo não é apenas preservar a qualidade acadêmica já alcançada, mas alinhar desempenho acadêmico e eficiência administrativa, garantindo sustentabilidade institucional, qualidade de vida no campus e maior impacto social.

A UFSC dispõe de capital humano entre docentes, técnicos e discentes e reputação acadêmica compatíveis com padrões de excelência. A tarefa central consiste em transformar essa capacidade instalada em resultados institucionais consistentes também no âmbito da gestão.

Este é, em resumo, o diagnóstico da nossa universidade. Mas diagnóstico apenas não transforma realidade. A gestão precisa assumir responsabilidades na mesma dimensão da UFSC. É hora de retomar o protagonismo institucional e ocupar plenamente o lugar que nos cabe como agentes de transformação da sociedade.

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