26/02/2026

A segunda renascença e o poder da interseção. Por Ademar Paes Junior

Artigo de Ademar Paes Junior, médico e empresário

Recentemente li um texto do escritor e criador Dan Koe, publicado no X, que provocou uma reflexão importante: fomos ensinados a acreditar que múltiplos interesses são sinal de falta de foco. Estude, escolha uma especialidade, siga nela até o fim. Esse modelo fez sentido na era industrial. Mas não vivemos mais naquele mundo.

Estamos atravessando uma espécie de segunda renascença. O conhecimento nunca foi tão acessível, e a tecnologia ampliou de forma inédita a capacidade individual de aprender, criar e transformar. Nesse cenário, a vantagem competitiva não está apenas na especialização, mas na interseção entre áreas.

Minha trajetória começou na saúde, um dos ambientes mais complexos que existem. Um setor regulado, intensivo em dados e de alto impacto humano. Foi ali que compreendi que informação isolada não gera resultado. É a integração entre saúde, tecnologia e gestão que transforma dados em decisão e decisão em valor.

Esse é o ecossistema em que atuo: conectar inteligência de dados e modelos de gestão de alto desempenho para gerar impacto real. Quando esses pilares conversam, criamos eficiência, ampliamos acesso, reduzimos desperdícios e fortalecemos organizações.

Cada área que exploramos amplia nossa capacidade de interpretar a realidade. A interseção entre domínios cria perspectivas únicas. Mas curiosidade sem direção vira dispersão. O desafio é construir um sistema que canalize múltiplos interesses em uma estratégia coerente.

Nem toda oportunidade deve ser abraçada. Liderar em ambientes complexos exige mensurar o valor estratégico de cada ação dentro do ecossistema que estamos fortalecendo. Fazer mais não significa avançar mais.

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