01/04/2026

A janela partidária e o deputado mais votado que não se elegeu. Por Monique Margô Serafim

Artigo de Monique Margô Serafim, assessora de comunicação política

À medida que o fim da janela para mudança de partido se aproxima, o jogo eleitoral começa a ganhar contornos mais nítidos. E a troca de partido nem sempre é uma escolha ideológica. Muitas vezes, é matemática. Você pode ser o deputado mais votado e não se eleger.

Dúvida? Vamos voltar a 2002. Mais do que o ano em que Luiz Henrique da Silveira iniciou sua hegemonia na política catarinense, aquele foi também o ano em que Ismael dos Santos foi o deputado estadual mais votado de Santa Catarina e, ainda assim, ficou sem mandato. O motivo: seu partido na época, o PSB, não atingiu o quociente eleitoral. Em termos simples, o quociente eleitoral é o número de votos válidos dividido pelo número de cadeiras em disputa (40 para estadual e 16 para federal). Para ter direito a uma vaga, o partido precisa alcançar esse número com a soma dos votos de seus candidatos.

Ismael foi, naquele ano, o que ninguém quer ser: o candidato certo no partido errado, do ponto de vista matemático. Mas isso não significa que basta estar no partido mais forte para se eleger. A conta é mais complexa. Além de projetar quantas cadeiras o partido pode conquistar, o candidato precisa avaliar a concorrência interna. E é aí que o cenário muda completamente.

Na eleição desse ano, por exemplo, o Partido Liberal é visto como um partido “high ticket”, ou seja, com alto potencial de votos e grande expectativa de cadeiras. Mas isso também significa uma disputa interna duríssima. Com muitos nomes fortes, é possível ter uma votação expressiva e, ainda assim, ficar de fora por poucos votos.

Já em partidos menores, como Podemos, Republicanos ou Novo, a tendência é conquistar menos vagas, mas com uma disputa interna mais acessível. Nesses casos, candidaturas em ascensão podem encontrar espaço para se eleger com uma votação menor. É uma equação delicada. Errar o cálculo pode custar caro. Ninguém quer ser o novo Ismael de 2002.

E então surge a pergunta inevitável: qual é o melhor partido para disputar uma eleição? A resposta continua sendo a mesma: depende. Depende do seu potencial de votos, do tamanho da nominata e, principalmente, dos seus adversários dentro do próprio partido. Enquanto a janela partidária segue aberta, muitos candidatos já fizeram suas contas. E outros tantos ainda estão fazendo, porque na política, às vezes, o mandato não se perde nas urnas. Se perde na escolha do partido.

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