30/03/2026

A “dificulfade” em fazer pergunta certa. Por Ivori Scheffer

Artigo de Ivori Scheffer, Juiz Federal aposentado e consultor jurídico

Costuma-se dizer que todo conhecimento nasce de uma dúvida. Mas não é qualquer dúvida que leva à verdade. A questão bem formulada é o primeiro passo para a verdade. Ao contrário, quando a intenção é outra, basta formular as perguntas erradas para desviar a investigação do caminho reto.
Esse é um critério para iniciar a separar o bom investigador dos demais e, talvez, para descobrir a intenção de quem diz buscar a verdade.

Pois bem. R$50.000.000.000,00 (50 bi) evaporaram no caso Master.

Com esse montante daria para construir 125 hospitais de ponta e de porte médio ao custo de R$400.000.000,00 por unidade. Seriam, ao menos, 4 hospitais novos para cada Estado do Brasil.
Seria possível construir 416.000 casas a um custo unitário de R$120.000,00, resultando em cerca de 15.000 novas unidades por Estado.

Considerando um custo médio anual de R$14.000,00 de uma vaga em creche municipal pública, com esses 50 bi seria possível criar 3.571.428 novas vagas, resultando em mais de 600 vagas para cada município brasileiro.

Então, quais as perguntas básicas para desvendar esse mistério?
1.⁠ ⁠Para onde foi essa riqueza?
2.⁠ ⁠Quais mecanismos financeiros foram usados?
3.⁠ ⁠Como foi possível que essas operações não tenham sido identificadas, no início, pelo Banco Central e Receita Federal?
4.⁠ ⁠Se foram identificadas, por que não houve pronta intervenção?
5.⁠ ⁠Como fundos de pensão e bancos públicos fizeram aportes milionários num banco que o sistema financeiro considerava temerário sem um controle prévio?
6.⁠ ⁠Quais os responsáveis por esses crimes e esses danos patrimoniais?

Resolvido isso que é básico, o campo de indagação pode se abrir.

No caso do estelionato contra os segurados do INSS, com algumas mudanças, as perguntas são semelhantes.
Quando o esforço da “dúvida” ou da “pesquisa” se dirige para para outros pontos, sem que o núcleo do problema esteja resolvido, ou quem pergunta é muito ingênuo ou sua intenção é afastar a investigação das causas e responsáveis pelo problema.

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