Artigo de Márcio Bueno, Advogado em Chapecó/SC

Mais uma vez, vemos a política ser dominada pela perigosa ideia do confronto e pela busca de “salvadores da pátria”. Essa mentalidade do “tudo ou nada”, que divide o país e ignora a complexidade do poder, tem se mostrado um caminho certo para o fracasso.
A história nos ensina que vitórias baseadas apenas em gestos de força ou no carisma de um líder não duram. A verdadeira construção política, aquela que deixa um legado, é feita com paciência e estratégia. Ela avança aos poucos, consolidando sua influência nas instituições que realmente definem o futuro de uma nação: as leis, os tribunais, as universidades e a cultura.
Um exemplo claro dessa política de gestos, em vez de estratégia, é quando um governante, eleito para ser um estadista, se recusa a receber ou participar de eventos com o Presidente da República ou seus ministros. Essa atitude confunde o papel institucional com a posição política pessoal. Um governador representa o Estado, uma entidade permanente, e tem o dever de dialogar e negociar por seu povo. Fechar portas não é um ato de força, é um erro estratégico que, no fim, prejudica a população que ele jurou servir.
Enquanto isso, uma matéria recente sobre as articulações para a eleição de 2026 mostra o outro lado da moeda. Vemos líderes, que em público são rivais, negociando nos bastidores para garantir a estabilidade e a continuidade de seus projetos. Eles sabem que, por trás dos discursos, o que vale é a manutenção do poder, e isso exige alianças inteligentes e o isolamento dos adversários no cenário mundial. Isso não é fraqueza, é tática.
A Direita, como corrente de ideias, precisa aprender a jogar o mesmo jogo de longo prazo. É fundamental entender que, às vezes, é preciso dar um passo para trás taticamente para poder dar dois passos à frente no objetivo principal: firmar seus valores e princípios na sociedade.
Se a Direita continuar a apostar em confrontos vazios e a ignorar a importância do jogo político estratégico, veremos a Esquerda, que sabe jogar este jogo, impregnar cada vez mais o país com sua ideologia. O poder não aceita vácuo. Ou se aprende a ocupá-lo com inteligência e visão de futuro, ou se assiste o adversário fazer exatamente isso.
É hora de parar de procurar um salvador e começar a construir, peça por peça, um projeto de poder real e duradouro.
Esta reflexão foi inspirada pela seguinte matéria, que recomendo a leitura: https://www.sociedademilitar.com.br/2026/02/lula-articula-pacto-com-trump-na-casa-branca-para-blindar-eleicao-de-2026-enquanto-tenta-barrar-ingerencia-externa-e-reduzir-ruidos-bolsonaristas-via-eua-afch.html?utm_source=wpp&utm_medium=grupos





