Artigo de Cryslan de Moraes, vereador de São José

São José completa 276 anos com uma história construída pela força de trabalhadores e empreendedores. Foi o esforço de quem produz, investe e acredita na cidade que impulsionou seu crescimento, muito mais do que a dependência da máquina pública como em muitas outras cidades. Mesmo ao lado da capital, essa trajetória moldou uma cidade diversa, com identidade própria e grande potencial.
Da Ponta de Baixo até a Serraria, de Barreiros até Forquilhas, São José é uma cidade bela e estratégica. Hoje, ocupa o posto de quarta maior cidade de Santa Catarina, atrás apenas de Joinville, Florianópolis e Blumenau. Esse dado impõe responsabilidade. O orçamento previsto para 2026 gira em torno de R$ 1,8 bilhão, o que mostra que o problema da cidade não é falta de dinheiro, mas sim a forma como ele é administrado.
Apesar disso, a realidade que a população vive está longe do que se espera de uma cidade com orçamento bilionário. São José enfrenta problemas financeiros graves, com histórico de contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas, aumento do déficit e crescimento das dívidas com fornecedores. E essas falhas aparecem no básico, nos serviços públicos e no dia a dia de quem mora Na saúde, São José ainda mantém um modelo ultrapassado de agendamento presencial, obrigando pessoas a madrugarem nos postos todos os dias para tentar uma consulta
básica. Na assistência social, a falta de controle e de políticas eficazes ampliou o problema das pessoas em situação de rua, agravado pelo vício em drogas, o que trouxe consequências como furtos, ameaças e sensação constante de insegurança, especialmente para mulheres. Soma-se a isso uma zeladoria urbana deficiente, com mato, lixo e abandono visíveis em diversos bairros.
Além disso, cresce a desconfiança sobre o uso do dinheiro público. Muitos moradores não se sentem seguros quanto à integridade dos impostos que pagam. Falta uma atuação mais firme da controladoria no combate ao desperdício, à corrupção e à má gestão, em uma cidade que arrecada muito, mas entrega pouco em áreas essenciais.
São José pode muito mais. É uma cidade grande, economicamente forte e central para Santa Catarina. O que falta é uma gestão técnica, competente e comprometida com resultados, não com propaganda. Além disso, é urgente que São José volte a ter representação na Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Uma cidade que hoje é a quarta maior do estado, com peso econômico, social e populacional, não pode seguir sem voz no debate estadual. Essa ausência cobra um preço alto: Menor influência na definição de políticas públicas, menor capacidade de atrair investimentos e pouca prioridade nas decisões que impactam diretamente a vida dos josefenses, com menos recursos chegando na ponta.
Comemorar os 276 anos é justo. Fingir que está tudo bem, não. Amar São José é reconhecer os problemas e exigir que a cidade seja tudo aquilo que pode e merece ser.






