09/03/2026

Estudo revela IA capaz de detectar metástase de 33 tipos de câncer

Estudo publicado na prestigiada revista The Lancet Digital Health revela que novo sistema de IA, chamado PanCAM, identificou pacientes com câncer que haviam recebido diagnósticos negativos por patologistas humanos. Foto: Freepik/Divulgação

Um novo marco na oncologia digital acaba de ser estabelecido e publicado na última quinta-feira (5). Pesquisadores desenvolveram e validaram o PanCAM, um sistema de IA (inteligência artificial) projetado para detectar metástases em linfonodos com uma precisão sem precedentes. O estudo, publicado na revista The Lancet Digital Health, que analisou mais de 69 mil imagens de lâminas inteiras, demonstrou que a tecnologia não só é altamente sensível para tipos comuns de câncer, mas também para variações raras da doença.

Segundo os pesquisadores, a análise de linfonodos é uma das partes mais cruciais e exaustivas do trabalho de um patologista. A presença de metástase nesses órgãos determina o estágio da doença e, consequentemente, o tratamento que o paciente receberá. No entanto, pequenas células cancerígenas (micrometástases) podem passar despercebidas pelo olho humano devido ao volume massivo de tecidos a serem analisados.

O PanCAM foi testado na China em um cenário robusto: 9.256 pacientes de 17 hospitais diferentes, cobrindo 33 tipos distintos de câncer. O resultado foi impressionante: a IA conseguiu identificar metástases que foram omitidas nos laudos iniciais feitos por médicos.

Principais achados do estudo:

  • Alta sensibilidade: O sistema manteve uma performance consistente tanto em cânceres prevalentes (como mama e pulmão) quanto em tipos raros.
  • Identificação de “falsos negativos”: A IA identificou pacientes positivos para metástase que haviam sido classificados como negativos por patologistas, o que pode mudar drasticamente o curso do tratamento desses indivíduos.
  • Validação Prospectiva: Diferente de muitos modelos de IA que funcionam apenas em “laboratório”, o PanCAM foi validado em condições reais de hospitais, mostrando-se pronto para a implementação clínica.

O futuro da patologia

Os pesquisadores apontam que o objetivo não é substituir o médico, mas oferecer uma “segunda rede de segurança”. Com o auxílio da IA, o patologista pode focar em casos mais complexos, enquanto o algoritmo faz a triagem inicial e aponta áreas suspeitas nas lâminas digitais.

“Este estudo é um divisor de águas porque prova que a IA pode lidar com a diversidade da oncologia em larga escala”, afirma o relatório. Para os pacientes, isso significa diagnósticos mais rápidos, precisos e uma chance significativamente maior de receber o tratamento correto no momento certo.

A expectativa agora é que órgãos regulatórios e sistemas de saúde comecem a avaliar a integração desse software nos fluxos de trabalho hospitalares, prometendo uma nova era onde a tecnologia e a medicina caminham de mãos dadas contra o câncer.

O estudo foi feito por:
Shaoxu Wu, MD (médico); Guibin Hong, MD (médico); Yun Wang, MD (médico); Hong Zeng, MD (médico); Zhen Lin, ME (mestre em engenharia); Jie Yang, MD (médico); Jianning Chen, MD (médico); Hongtao Chen, MD (médico); Yan Huang, MD (médico); Liangli Hong, MD (médico); Yuanyuan Wang, MD (médica); Prof. Weineng Feng, MD (professor de medicina); Yunjie Zeng, MD (médico); Huasheng Huang, MD (médico); Chunhui Wang, MD (médica); Chen Xing, MD (médico); Gehong Dong, MD (médico); Prof. Xing Hua, MD (professor de medicina); Changhai Qi, MD (médico); Prof. Aijun Liu, MD (professor de medicina); Jihua Wu, MD (médico); Xu Chen, MD (médico); Changhao Chen, MD (médico); Wenlong Zhong, MD (médico); Ye Xie, MD (médico); Mengyi Zhu, MD (médica); Chengxiao Liao, MD (médico); Haoxuan Wang, MD (médico); Hongkun Yang, MD (médico); Fan Jiang, MD (médico); Runnan Shen, MD (médico); Fechando Huang, BD (bacharel); Rui Chen, BD (bacharel); Prof. Tianxin Lin, PhD (professor e doutor).

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