25/03/2026

Sem bolsonaristas, equipe de transição de Jorginho lembra a que Moisés montou em 2018

Não vai ser fácil encontrar similaridades nos movimentos do governador eleito Jorginho Mello (Partido Liberal) com os do atual ocupante do cargo, Carlos Moisés (Republicanos). Eleitos a bordo das expressivas votações de Jair Bolsonaro (Partido Liberal) nas últimas duas eleições presidenciais em Santa Catarina, Jorginho e Moisés são praticamente antípodas, habitam mundos completamente diferentes na política e na vida. A transição de governo, no entanto, mostra um ponto em comum.

Escolhido de última hora para ser o candidato a governador do Psl em 2018, Carlos Moisés se fechou após a vitória. Diante da perplexidade e expectativa de quatro deputados federais e seis deputados estaduais eleitos na mesma Onda Bolsonaro que ele – e de diversos não eleitos prontos para ocupar espaços no novo governo -, o atual governador foi buscar guarida nos colegas de farda e em nomes fora do Psl. Quando apresentou a lista de 11 nomes para a equipe de transição para o então governador Eduardo Pinho Moreira (Mdb), o bolsonarismo não fazia parte dela.

Como disse antes, Jorginho é o oposto de Moisés. Sai o improviso da candidatura de última hora, entra a persistência de quem sempre sonhou com o governo do Estado; sai os movimentos de aprendiz de quem vivia seu primeiro cargo eletivo, entra a experiência de quem enfileirou quatro mandatos de deputado estadual, dois de deputado federal e um de senador, além de presidir o próprio partido desde que se filiou, em 2012.

No entanto, ao observar os 14 nomes que Jorginho Mello apresentou a Moisés para a transição de governos, é interessante perceber que o movimento é parecido. Jorginho busca os seus, indica nomes técnicos, muitos de carreira ou com experiência na máquina, poucos vínculos políticos evidentes. Na coordenação, um político discreto, Moisés Diersmann, ex-prefeito de Luzerna, que já havia coordenado seu plano de governo. Dos nomes postos, talvez o único com perfil para o primeiro escalão.

Não estão na equipe de transição nomes que são tidos como certos para o secretariado de Jorginho, como a deputada federal reeleita Carmen Zanotto (Cidadania) na Saúde e o presidente do sistema Acafe, Aristides Cimadon, na Educação. Mas o que chama atenção mesmo – e traça o paralelo com Moisés – é a ausência de representantes explícitos do bolsonarismo que foi fundamental para a vitória nas urnas.

Jorginho não está encasulado. Em reunião com a bancada estadual eleita, garantiu que todos ali são governo e serão ouvidos. Nos grupos de WhatsApp do Pl, há desconforto sobre nomes de fora do time em postos estratégicos do governo. Ao apresentar seus nomes para a transição, o governador eleito turbina as especulações.


Sobre a foto em destaque:

Primeira reunião da transição colocou de um lado nomes de Jorginho, como Moisés Diersmann (segundo à esquerda), como o time de Carlos Moisés, como Juliano Chiodelli e Paulo Eli. Foto: Maurício Vieira, Secom.

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