O futebol brasileiro passou anos vendendo um produto que nunca teve. E agora tenta, com atraso histórico, construir aquilo que já deveria estar pronto. A proposta apresentada pela Confederação Brasileira de Futebol não traz inovação. Escancara o básico que foi ignorado por décadas. Enquanto isso, o mundo avançou.

Quando a Premier League surgiu, em 1991, a Inglaterra entendeu algo simples: antes de vender, era preciso qualificar. Reformou estádios, padronizou gramados, organizou a gestão e valorizou o torcedor. O produto veio primeiro. O dinheiro, depois.
Aqui, fizemos o contrário. Fragmentamos direitos, assinamos contratos longos e baratos, criamos blocos sem liga e inflamos um mercado que não se sustenta. O resultado é conhecido: mais dívida, menos controle e dependência crescente de quem já lucra com um produto subvalorizado.
A mudança de postura da CBF é relevante. Pela primeira vez, há tentativa de coordenação e não de entrega. A entidade usa sua força para organizar o que os clubes não conseguiram. Mas o maior obstáculo permanece. Falta visão coletiva, sobra ego. Dirigentes ainda operam no curto prazo, como se o futebol não fosse um ativo que atravessa gerações.
O Brasil começa a entender, em 2026, o que outros compreenderam há mais de 30 anos. Resta saber se haverá tempo e maturidade para corrigir o rumo. Por ora, damos um passo adiante. Ainda que na direção de um futuro que já virou passado em vários países.




