4 de fevereiro de 2026

Figueira e JEC sentem na pele que história não ganha jogo

O torcedor precisa ouvir a verdade, mesmo quando ela dói. A crise de Figueirense e Joinville não é fase. Não é bola que não entra. Não é troca de técnico. É consequência. O que os dois vivem em 2026 é reflexo de anos de gestões amadoras, falta de planejamento e decisões erradas fora de campo.

Foto: Jery Souza

Nada começou agora. O problema vem de longe, acumulado temporada após temporada. O estrago não aparece de uma vez. Corrói por dentro, como ferrugem em viga de estádio. Quando a gente percebe, a estrutura já cedeu.

O Figueirense, por muito tempo o catarinense mais estável na Série A, hoje luta para não cair no Estadual e briga, todo ano, para não despencar nas divisões nacionais. Em vez de sonhar com acesso, joga pressionado pela sobrevivência.

O Joinville repete o roteiro. Dono de um dos períodos mais vitoriosos do Catarinense, perdeu espaço no cenário nacional e chegou a ficar sem divisão no Brasileiro. É efeito dominó: sem gestão, não há planejamento; sem planejamento, não há elenco; sem elenco, não há resultado. E, sem resultado, a camisa já não assusta ninguém.

Antigamente, história ganhava jogo. Hoje, ganha quem tem estrutura, ciência, profissionalismo, folha em dia e projeto de longo prazo. O futebol virou indústria. Quem trata clube como associação de amigos ou trampolim político fica para trás.

Figueira e JEC pagam essa conta. E quem mais sofre é quem menos errou: o torcedor. É ele que pega estrada, compra ingresso, renova a fé todo ano, aguenta piada e vê o rival crescer. A dor maior não é perder. É não enxergar futuro. O problema nunca esteve na arquibancada nem no vestiário. Está na sala de reunião, no andar de cima.

Os dois ainda têm patrimônio que muita gente inveja, mas isso, sozinho, não resolve mais. Sem profissionalização e transparência, a queda vira rotina. Enquanto nada mudar, vão seguir lutando não por glória, mas por sobrevivência. Uma triste realidade para o futebol catarinense.

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