26/06/2026

Turismo paga investimentos com alargamento de praias: o que SC pode aprender com os Estados Unidos

Praia de Ingleses, no Norte da Ilha de Santa Catarina
Foto: Allan Carvalho, divulgação, PMF

Em palestra no Summit Cidades 2026, que terminou nesta quinta-feira (25) em Florianópolis, o oceanógrafo Lindino Benedet disse que nos Estados Unidos, onde tem uma empresa de engenharia costeira, a receita turística cobre em poucos meses os gastos realizados pelo poder público com alargamento de praias.

São US$ 285 bilhões por ano, que pagam mais do que todas as obras desde a a primeira “grande engorda” na costa norte-americana realizada há 100 anos em Coney Island, NY. Em um século, 475 praias tiveram aumento da faixa de areia, envolvendo 1,2 bilhão de m³ em mais de 3.200 obras. A Flórida concentra 30% desses investimentos.

Catarinense do Sul do estado, ele participou do painel “Infraestrutura e resiliência: como Florianópolis está enfrentando os desafios da erosão costeira”, ao lado do secretário de Infraestrutura da capital, Rafael Hahne e do também oceanógrafo Rafael Bonanata.

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Sócio da Coastal Protection Engineering LLC, empresa com sede na Flórida especializada em engorda de praias, estruturas, marinas e canais de navegação, Benedet relatou que nos EUA o processo é “bem previsível e com caminho claro”, que garante segurança jurídica aos investidores. “Não existe contestação de competências”, disse.

Ele destacou que o processo de engorda “não é permanente, exige manutenção e tem vida útil pré-determinada” e lembrou que, em Florianópolis, as obras são criticadas injustamente quando a areia “vai embora”.

Além disso, pontuou que no Brasil, ao contrário dos EUA, não há um programa definido que trate do combate à erosão e de projetos de alargamento das faixas de areia. “Cada projeto recomeça do zero” aqui, afirmou, Benedet, que defendeu que “a costa deve ser vista como ativo prioritário em Santa Catarina e Florianópolis”.

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