04/06/2026

MDB esquece diferenças e faz festa nos 60 anos

Assim como acontece nas famílias tradicionais, que acumulam divergências, disputas e ressentimentos ao longo dos anos, o MDB de Santa Catarina deixou de lado suas diferenças internas e se reuniu, como se tudo estivesse em perfeita harmonia, para celebrar os 60 anos de fundação do partido.

Ex-senador Neuto de Conto, um dos fundadores do MDB na região oeste, discursa na sessão solene / Foto: Bruno Collaço

A solenidade realizada na segunda-feira, na Assembleia Legislativa, foi uma demonstração da força e da capilaridade da legenda. Militantes, ex-prefeitos, vereadores, deputados e lideranças de praticamente todas as regiões do Estado marcaram presença em Florianópolis para homenagear uma sigla que ajudou a escrever boa parte da história política catarinense.

Parecia que o MDB havia voltado no tempo da “Jornada da Unidade”, movimento liderado pelo então senador Casildo Maldaner, na década de 1999, que culminou na reorganização do MDB, levando o partido a vitória na eleição de 2002.

Emedebistas vieram de longe. Entre os presentes estava o ex-prefeito de Águas Frias, José Luiz Daga, o Dinho, que atravessou o Estado desde o Oeste para participar da comemoração. Da região Norte veio Nilson Bylaardt, ex-prefeito de Guaramirim. Eram apenas dois exemplos de uma plateia formada por lideranças de diferentes gerações e origens, unidas pelo sentimento de pertencimento a um partido que atravessou seis décadas mantendo relevância política.

De Videira, no meio-oeste, gerações diferentes, como Odilon Salmória, de 79 anos, eleito deputado federal em 1982, e Marcos Both, de 36 anos, eleito vereador em 2024 e atual pré-candidato a deputado estadual pelo MDB. Do Sul, os ex-deputados Ronaldo Benedet e Edinho Bez, também presentes e homenageados.

Novos e antigos aliados na festa

E não foram apenas os emedebistas que prestigiaram o evento. A festa contou com a presença de dois ex-governadores que ocupam posição de destaque na política catarinense: Esperidião Amin, do PP, adversário histórico da legenda em diversas eleições, e Raimundo Colombo, do PSD, que por muitos anos dividiu palanques e projetos com o MDB.

Um dos aspectos mais simbólicos da comemoração foi a presença dos ex-senadores Dirceu Carneiro e Nelson Wedekin. Eleitos pelo MDB na década de 1980, ambos seguiram outros caminhos políticos ao longo da carreira e acabaram deixando a legenda. Ainda assim, fizeram questão de prestigiar a celebração dos 60 anos do partido. A presença dos dois veteranos reforçou o caráter histórico do evento e demonstrou que, para além das filiações partidárias e das disputas do presente, permanece o reconhecimento ao papel que o MDB desempenhou na redemocratização do país e na formação de importantes lideranças da política catarinense.

Jorginho Mello e João Rodrigues, os dois pré-candidatos que disputam o apoio do MDB não compareceram.

Dois projetos continuam à mesa

A comemoração também serviu para demonstrar que, apesar das divergências sobre o futuro, o MDB continua sendo uma das poucas siglas catarinenses capazes de reunir suas diferentes correntes sob o mesmo teto. Não é segredo para ninguém que o partido vive um momento de definição. Uma parcela importante de suas lideranças defende a continuidade da aliança com o governador Jorginho Mello e o PL. Outra ala considera que o melhor caminho é integrar o projeto liderado pelo prefeito de Chapecó, João Rodrigues, pré-candidato ao governo do Estado pelo PSD.

As diferenças existem e tendem a ganhar intensidade à medida que a eleição de 2026 se aproxima. Porém, durante algumas horas, elas ficaram em segundo plano. O clima era de reencontro entre velhos companheiros de caminhada, muitos deles protagonistas de capítulos importantes da política catarinense nas últimas décadas.

Se a celebração dos 60 anos não resolveu os dilemas eleitorais do MDB, deixou ao menos uma lição. Antes de decidir com quem caminhará em 2026, a legenda fez questão de reafirmar sua identidade e lembrar sua trajetória. E para um partido que construiu sua história conciliando interesses, lideranças e correntes distintas, talvez esta seja a melhor forma de se preparar para os desafios que ainda estão por vir.

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