Time bom joga bem em casa. A máxima do futebol, via de regra, também vale para a política, principalmente nas eleições proporcionais.
Políticos com pautas regionais e que não surfam as ondas da chamada “nova política”, impulsionada pela internet, costumam sair de casa com votações robustas, capazes de garantir a largada rumo à eleição.

As duas deputadas mais votadas de 2022 — Carol de Toni, com 227 mil votos para a Câmara Federal, e Ana Campagnolo, com 176 mil votos para a Assembleia Legislativa — não dependeram de suas cidades para se eleger. Em função das pautas que defendem, pulverizaram votos por todas as regiões do estado.
Entre os deputados federais eleitos, o campeão proporcional “em casa” foi Valdir Cobalchini. Em Caçador, cidade onde mora com a família, fez 56,38% dos votos válidos. Foram mais de 20 mil votos dos cerca de 98 mil obtidos em todo o estado.
A segunda colocada foi Carmen Zanotto. Em 2022, ainda como candidata à Câmara Federal, ela conquistou em Lages 49.818 votos, o equivalente a 55,14% dos votos válidos do município.
Líderes nos pequenos municípios
Já nos estaduais, Oscar Gutz liderou a proporcionalidade municipal. Em Pouso Redondo, sua cidade, fez 72,7% dos votos válidos: 6.753 votos que garantiram a largada para sua eleição.
O segundo colocado foi Volnei Weber. Em sua pequena São Ludgero, conquistou 4.969 votos, o equivalente a 66,18% dos válidos.
A eleição de 2022 ainda teve dois casos emblemáticos. Saulo Sperotto, concorrendo pelo PSDB, fez em Caçador 22.261 votos, o que correspondeu a 59,85% do eleitorado válido do município. Já Emerson Stein, do MDB, somou em Porto Belo 7.105 votos, alcançando 58,8% dos votos válidos.
Apesar das votações expressivas em seus redutos, os dois acabaram fora da Assembleia: Saulo terminou como segundo suplente do PSDB e Emerson como primeiro suplente do MDB.
Em Bombinhas, Paulinha também teve desempenho destacado. Foram 5.852 votos, representando 46,91% dos válidos do município.
Ex-prefeitos largam na frente
Com exceção de Cobalchini e Carmen Zanotto — ela só conquistaria a Prefeitura de Lages em 2024 — todos os demais (Volnei, Emerson, Oscar, Saulo e Paulinha) tinham algo em comum: já haviam administrado suas cidades.
Os números reforçam uma lógica tradicional da política catarinense. A força do voto local segue diretamente ligada à presença municipal dos candidatos, especialmente daqueles que já disputaram e venceram eleições para prefeito.






