14/05/2026

Ano Internacional da Mulher Agricultora: um chamado à valorização do protagonismo feminino. Por Marilene Silveira Castelo Branco

Artigo de Marilene Silveira Castelo Branco, presidente da Cooperativa Frutas de Ouro

A decisão da Organização das Nações Unidas (ONU) de proclamar 2026 como o Ano Internacional da Mulher Agricultora lança luz sobre uma realidade que há muito sustenta o campo: o protagonismo feminino na produção de alimentos, na gestão das propriedades e na organização das comunidades rurais.

As mulheres sempre estiveram presentes no agronegócio. Hoje, avançam também na gestão, na tomada de decisões e na condução de negócios cada vez mais estruturados e competitivos. Esse movimento tem impacto direto na produtividade, na diversificação das atividades e na geração de renda no meio rural.

No Brasil, e especialmente em Santa Catarina, essa transformação é visível. Mulheres assumem posições de liderança, inovam nos processos produtivos e contribuem para a sustentabilidade econômica e social das regiões onde atuam.

Esse avanço também aparece nos dados. Nas cooperativas catarinenses, as mulheres já são maioria entre os empregos formais, com 43.966 profissionais, frente a 40.609 homens, totalizando 84.575 postos de trabalho no estado. O número demonstra a presença feminina crescente e sua contribuição direta para o funcionamento e a expansão do setor.

Ainda assim, desafios persistem. Reconhecer o lugar da mulher agricultora é um passo importante, mas é fundamental criar condições para que esse protagonismo se consolide de forma permanente. E o cooperativismo tem papel decisivo nesse processo. Pois, organiza  produtores, amplia o acesso a mercados e promove capacitação.

As cooperativas criam um ambiente mais favorável para o desenvolvimento das mulheres no campo. É um modelo que valoriza o trabalho coletivo e garante mais equilíbrio nas relações econômicas.

Na Cooperativa Frutas de Ouro, essa realidade faz parte do dia a dia. A atuação está diretamente ligada à produção, processamento e comercialização de frutas, com participação ativa de mulheres em diferentes etapas, da lavoura à gestão. Esse envolvimento contribui para a qualidade dos produtos, para a diversificação da produção e para a geração de renda das famílias associadas.

O cooperativismo permite que essas mulheres tenham mais acesso à informação, mais segurança na comercialização e melhores condições para expandir suas atividades. Ao mesmo tempo, fortalece o senso de pertencimento e a participação nas decisões.

O reconhecimento internacional proposto pela ONU amplia esse debate e destaca a importância de políticas e iniciativas que apoiem as mulheres agricultoras. Mas o avanço depende, sobretudo, de ações concretas no território. Valorizar a mulher no agro é fortalecer o próprio futuro da produção de alimentos.

Em Santa Catarina, o cooperativismo tem mostrado que esse caminho é possível, com organização, capacitação e oportunidades reais de crescimento. O Ano Internacional da Mulher Agricultora deve servir como um marco para acelerar esse movimento e ampliar, de forma consistente, o espaço das mulheres no campo e nos espaços de decisão.

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