
O presidente do Sistema Ocesc (Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina), Vanir Zanatta, apresentou nesta quinta-feira um panorama do cooperativismo catarinense e os principais desafios do setor, entre eles a discussão nacional sobre a redução da jornada de trabalho.
O cooperativismo, que reúne 109,7 mil empregos, com destaque para o agro que sozinho emprega mais de 84 mil pessoas, movimenta R$ 105,7 bilhões por ano em Santa Catarina e segue em expansão. Em 2025, registrou crescimento de 7,1% nas receitas, três vezes acima do avanço do PIB brasileiro, que ficou em 2,3%.
O balanço apresentado ainda destaca o crescimento de associados em 2025, com o ingresso de mais de 370 mil pessoas. Veja mais na coluna Política e Agro da próxima segunda-feira.
Além dos números, Zanatta conversou sobre pautas políticas com a colunista.
Impacto do fim da escala 6×1 para o setor
A instalação, pela Câmara dos Deputados, de uma comissão especial nesta semana para discutir o fim da escala 6×1 e a redução da jornada reacende o alerta do setor produtivo. Entre as propostas em debate estão a redução para 40 horas semanais e até modelos mais ousados como a semana de quatro dias defendida pela deputada Erika Hilton (PSOL).
Segundo dados da OCESC, os impactos seriam expressivos. Na redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, seriam necessárias 12.394 novas contratações, com impacto de R$ 74,3 milhões por mês. Já em um cenário de jornada de 36 horas, a estimativa sobe para 26.664 novos trabalhadores, com impacto mensal de R$ 159,9 milhões. No acumulado anual, a conta pode chegar a R$ 10,8 bilhões para as cooperativas catarinenses.
Além do custo direto, o setor teme o aumento da informalidade, pressionada pelo encarecimento da contratação formal. A preocupação é ainda maior no agro, base do cooperativismo catarinense. Zanatta citou a dificuldade já existente de preenchimento de vagas, com grandes cooperativas, como a Aurora, enfrentando milhares de postos em aberto.
O presidente também fez críticas à carga tributária. “Já pagamos um bom salário, mas também pagamos outro bom salário para o governo. O custo é muito alto. É preciso que o governo gaste menos e cobre menos.”
Representação e influência política nas eleições deste ano
Hoje, 61% dos catarinenses estão vinculados a cooperativas, um contingente que o sistema quer transformar em força de representação institucional. Para isso, a OCESC iniciou um programa de educação política voltado aos associados, sem viés partidário e com foco em informação e conscientização.
“Muitos votam e não sabem quem são seus representantes. Queremos levar informação sobre Brasília e a Alesc para dentro das cooperativas.”
A estratégia envolve uma rede de multiplicadores que distribuem conteúdo filtrado aos cooperados.
“Se metade desse universo de 5 milhões de pessoas nos ouvir e votar em quem defende o cooperativismo, teremos vários deputados e senadores alinhados ao setor.”
Atualmente, o cooperativismo já conta com presença significativa na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, com nomes como José Milton Scheffer, Altair Silva, Felippe Collaço, Camilo Martins, Vicente Caropreso, Fernando Krelling, Mauro de Nadal, Marcos Vieira, Oscar Gutz, Antídio Lunelli e Napoleão Bernardes. Na Câmara, 10 dos 16 deputados federais catarinenses integram a Frente Parlamentar do Cooperativismo.







