10/04/2026

Santa Catarina dá show, mas o mundo cobra a conta

Enquanto Brasília ainda tenta organizar o jogo, Santa Catarina segue jogando em outro nível.

Os números não deixam margem para dúvida.

O estado cresceu 5,9% na indústria de alimentos em 2025, quase quatro vezes acima da média nacional, que ficou em 1,5%, segundo o IBGE.

Em um território que ocupa pouco mais de 1% do Brasil, os resultados impressionam:

  • 7,85 milhões de toneladas de grãos colhidas
  • 2 milhões de toneladas de carne exportadas
  • US$ 4,5 bilhões em receita com proteína animal

E mais do que volume, o que chama atenção é o modelo.

Santa Catarina não produz só no campo.
Transforma, industrializa e exporta.

O governador Jorginho Mello resume:

“É o agronegócio que põe comida na mesa do brasileiro todos os dias.”

Integração que vira resultado e concentra poder

O segredo catarinense não está só na produtividade. Está na integração.

A cadeia de proteína animal é o melhor exemplo.

Hoje, cerca de 70% da suinocultura do estado está concentrada no Grande Oeste, puxada por regiões como Meio-Oeste, Extremo-Oeste e Oeste.

Esse modelo:

  • garante escala
  • reduz risco
  • organiza a produção

Mas também traz um alerta: menos produtores, mais concentração.

A eficiência aumenta.
A base diminui.

Crédito entra onde o mercado aperta

E quando o mercado falha, o Estado entra.

O programa Pronamp Leite já movimentou R$ 84 milhões em apenas um mês, alcançando mais de 3 mil operações em 196 municípios catarinenses.

A estratégia é clara: dar fôlego para quem está na ponta.

O governador reforça a linha:

“Nosso governo foi sensível à demanda do setor leiteiro, garantindo suporte para manter a produção.”

E o diretor do BRDE, Mauro Mariani, complementa:

“O foco está no pequeno e médio produtor, com crédito acessível e condições reais de manter a atividade.”

É política pública com alvo definido: segurar a base produtiva.

Guerra pressiona e Santa Catarina sente

Mas nem tudo depende de gestão.

O cenário internacional começa a cobrar.

A escalada de tensão no Oriente Médio já impacta diretamente a cadeia de proteína animal, com aumento de:

  • frete marítimo
  • custo logístico
  • tempo de transporte

Em alguns casos, o custo por contêiner refrigerado subiu até US$ 4 mil.

E o efeito vai além da logística.

O milho base da ração já mostrou, em crises anteriores, como pode disparar e pressionar toda a cadeia.

Tradução simples: o custo sobe aqui, por causa do que acontece lá fora.

O desperdício invisível que custa bilhões

Enquanto o agro produz mais, outra conta cresce em silêncio.

O desperdício de alimentos pode gerar prejuízo global de US$ 540 bilhões em 2026.

No Brasil, as perdas chegam a cerca de 32% da cadeia.

O problema não está só na produção.

Está em:

  • logística
  • armazenamento
  • controle operacional

E atinge principalmente:

  • carnes
  • hortifrúti

O paradoxo é direto: o mundo produz mais… e perde mais.

O agro que escreve o próprio futuro

Se o presente exige eficiência, o futuro exige algo além: controle total.

Pesquisas recentes mostram que já é possível criar sequências genéticas do zero, sem molde prévio um avanço que pode acelerar o melhoramento genético e a criação de bioinsumos.

Na prática, isso significa:

  • plantas mais resistentes
  • menor dependência de fertilizantes
  • resposta mais rápida às mudanças climáticas

O agro deixa de apenas selecionar genética. Passa a escrever genética.

Pequeno no mapa. Gigante na entrega.

Santa Catarina mostra que o agro pode ser eficiente, integrado e competitivo.

Mas também escancara um ponto importante: o sucesso não elimina o risco só muda de lugar.

Hoje, o desafio não é produzir.
É sustentar o crescimento em um cenário global instável, com custo pressionado, clima imprevisível e mercado cada vez mais exigente.

Santa Catarina está fazendo a sua parte.

Resta saber se o Brasil e o mundo conseguem acompanhar.

Excelente sexta-feira, Agroamigos!

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