O deputado estadual Jerry Comper anunciou que permanecerá no MDB. A decisão foi divulgada em vídeo nas redes sociais, em meio à reta final da janela partidária e a um momento de divergências internas na sigla.
No pronunciamento, o parlamentar afirmou que recebeu convites para deixar o partido, mas optou por permanecer por considerar sua trajetória e seus princípios ligados ao MDB. “Há decisões que não se tomam apenas com a razão. Se tomam com a história, com princípios e com o coração”, disse.
Comper integra o grupo do MDB que defende o apoio à reeleição do governador Jorginho Mello (PL). Até ontem, o parlamentar comandava a Secretaria de Estado de Infraestrutura. Sua base eleitoral, fortemente ligada a prefeitos emedebistas, certamente pesou na sua decisão. Ainda assim, a permanência não significa acordo interno. O MDB segue longe de um consenso.
Assim como Comper, os deputados Fernando Krelling, Emerson Stein e Valdir Cobalchini têm afirmado que o anúncio feito pelo presidente estadual do MDB, deputado federal Carlos Chiodini, em apoio ao projeto liderado pelo prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), foi uma manifestação isolada, sem respaldo das bases ou consulta às lideranças.
Avaliação do cenário
Nesta terça-feira, o grupo deve se reunir na Assembleia Legislativa para discutir os encaminhamentos e avaliar o cenário. Emerson Stein disse à coluna que sua permanência no MDB depende do resultado do encontro. O deputado estadual Antídio Lunelli e o vice-presidente do BRDE, Mauro Mariani, também devem participar.
Segundo Mariani há desconforto entre pré-candidatos e prefeitos com a possibilidade do partido integrar uma composição com o PSD. “Eu falo pela minha região: corremos o risco de perder pré-candidatos”, disse.
O emedebista também relembrou que decisões tomadas sem respaldo das bases já colocaram o MDB em posição secundária no cenário estadual. “Começou em 2010, quando o Dário Berger estava no seu melhor momento e fomos de vice em outro projeto. O MDB venceria aquela eleição”, afirmou.
Decisão pode passar por convenção
Sem acordo, a definição do MDB poderá ser levada à convenção estadual que homologará as candidaturas para o pleito de outubro. Hoje, o partido conta com 398 delegados aptos a votar, somando 479 votos no colégio interno, (71 de membros titulares do diretório estadual, seis de deputados estaduais, três de deputados federais e um da senadora Ivete Appel da Silveira).
Na convenção de 2022, a proposta de rejeitar candidatura própria e indicar o vice na chapa de Carlos Moisés recebeu 272 dos 470 votos. O grupo liderado por Antídio Lunelli, que defendia candidatura própria, acabou derrotado, com apoio, à época, do atual presidente da sigla, Carlos Chiodini.
Moisés concorreu ao lado do ex-prefeito de Joinville, Udo Döhler, mas foi derrotado. O partido retornou à base do governo estadual em 2025 ao compor com Jorginho Mello, com a perspectiva de ocupar a vaga de vice. O restante da história já é conhecido, o desfecho ainda não.








