O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) deu dois passos importantes, e complementares, no enfrentamento ao feminicídio no estado: a articulação de um pacto institucional entre os Poderes e o lançamento de uma ferramenta inédita de inteligência sobre o tema.
A pauta não é nova, mas há mudança de abordagem. Sai o discurso e entra o método. Pela primeira vez, as falhas são assumidas para além das estatísticas.
“Estamos nos olhando no espelho para saber onde estamos errando e como podemos melhorar”, afirmou a procuradora-geral do MPSC, Vanessa Cavallazzi, durante o ato de lançamento do mapa e assinatura do pacto.
O pacto reúne os Poderes em torno de uma agenda integrada. O mapa, por sua vez, cruza dados de investigações e processos para identificar padrões e fatores de risco que as estatísticas e base de dados atuais não são capazes de enxergar.

A proposta é transformar o enfrentamento ao feminicídio em uma agenda permanente e integrada, saindo da atuação isolada para uma lógica de corresponsabilidade entre instituições.
A base do levantamento do mapa reúne casos entre 2020 e 2024, com atualização até 2025, e inclui elementos como perfil das vítimas e agressores, vínculos entre eles, histórico de violência e contexto dos crimes.
O movimento aponta para uma virada importante: o enfrentamento ao feminicídio deixa de ser apenas uma resposta penal e passa a incorporar inteligência, integração institucional e prevenção estruturada.
O desafio, agora, será transformar as propostas em ações concretas, antes que os números sigam crescendo.






