
O agro chega ao fim da terceira semana de março com uma equação conhecida e cada vez mais pressionada.
De um lado, Brasília tenta estruturar o futuro. De outro, o presente já cobra a conta.
Enquanto a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) acelera mudanças no seguro rural e quer votação já na próxima semana, o diesel segue no centro da crise agora com greve de caminhoneiros ganhando força em Santa Catarina e no país.
O recado do campo é direto: não dá mais para apagar incêndio safra após safra.
Seguro rural entra no radar político e pode virar virada de chave
A FPA decidiu subir o tom e acelerar a votação do projeto de lei do seguro rural já na próxima semana.
O texto, aprovado no Senado, terá como relator o presidente da Frente, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), e deve chegar à Câmara com mudanças estruturais.
A avaliação da bancada é estratégica:
o seguro precisa estar redesenhado antes da construção do Plano Safra 2026/27.
Segundo o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), o objetivo é sair da lógica emergencial.
“Quando você tem o seguro estruturado, você resolve isso na origem. Ele passa a ser um instrumento permanente, que dá previsibilidade e protege o produtor.”
O que muda no seguro rural
A proposta da bancada mexe em pilares do modelo atual.
Entre os principais pontos:
• Cooperativas entram no jogo
O seguro passa a incluir cooperativas de produção, ampliando o alcance e protegendo estruturas coletivas do agro.
• Seguro vira garantia de crédito
Produtores poderão usar o seguro como instrumento de garantia em financiamentos, reduzindo risco e facilitando acesso ao crédito.
• Criação de fundo estruturante
Um fundo específico dará previsibilidade de recursos ao sistema, reduzindo a dependência de decisões anuais.
• Gestão na Fazenda, não no Mapa
A administração do fundo deve ficar com o Ministério da Fazenda, reforçando o caráter econômico e não apenas agrícola da política.
Na prática, é a tentativa de transformar o seguro em base do sistema.
Não em solução de última hora.
Diesel vira disputa política e FPA reage à MP
Enquanto o seguro tenta organizar o futuro, o diesel bagunça o presente.
A FPA já prepara emendas à Medida Provisória nº 1.340/2026, que trata da subvenção ao diesel, com um ponto central:
Corrigir a distorção criada pela isenção de PIS/Cofins apenas para o diesel.
A bancada quer estender o benefício também ao biodiesel, para preservar competitividade e respeitar o princípio constitucional de incentivo aos biocombustíveis.
“Quando o governo diminui a tributação do diesel, precisa manter essa diferença para o biodiesel”, afirmou
Arnaldo Jardim.
Mistura maior e fertilizante na mesa
A reação da bancada não para no diesel.
A FPA, junto com o setor produtivo e com apoio da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), também vai pressionar o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) por:
- aumento da mistura de biodiesel: de B15 para B16 ou B17
- aumento do etanol na gasolina: de E30 para E32
E quer destravar outra pauta estratégica:
O Profert (Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes)
Para a CNA, o momento é crítico.
“O principal ponto de reclamação que nós temos recebido é o aumento abusivo de preços”, disse o diretor técnico, Bruno Lucchi.
Guerra pressiona fertilizantes e acende alerta estrutural
O conflito no Oriente Médio já começa a mostrar efeito direto.
Segundo a CNA:
- a ureia subiu entre 30% e 35%
- cerca de 35% do nitrogenado vem da região
O senador Jaime Bagattoli (PL-RO) resumiu o efeito:
“Não afeta só um insumo. É uma reação em cadeia.”
Já o deputado Luiz Nishimori (PSD-PR) foi além:
“Não podemos continuar importando 90% dos fertilizantes.”
O problema deixou de ser conjuntural.
Virou dependência estrutural.
Greve dos caminhoneiros começa e SC entra no mapa
E o que já era pressão virou movimento.
Caminhoneiros de Santa Catarina decidiram aderir à greve nacional, com mobilizações em:
- Itajaí
- Navegantes
- Itapoá
- Imbituba
A articulação acompanha portos como os de Santos, Paranaguá e Rio Grande.
Segundo o presidente do Sinditac (Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas) de Navegantes, Vanderlei de Oliveira:
“O diesel subiu e o frete não acompanhou.”
A principal cobrança é a aplicação do gatilho do frete, mecanismo criado após a greve de 2018 e que, segundo a categoria, não está sendo respeitado.
O movimento já começou e não tem prazo para terminar.
Sextou com pressão total
O agro fecha a semana com três frentes abertas:
- tentativa de estruturar o seguro rural
- disputa política sobre o diesel
- e paralisação no transporte
Tudo isso no meio de:
- custos em alta
- conflito internacional
- e definição do próximo Plano Safra
No papel, são pautas diferentes.
Na prática, é o mesmo problema:
Previsibilidade.
Sem ela, o produtor segue fazendo o que sempre fez: produz!
Mas, cada vez mais, sem saber quanto vai sobrar no final.
Boa sexta, meus Agroamigos!






