Investigado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) no âmbito das operações que apuram a existência de um cartel no setor funerário, o ex-secretário municipal de Florianópolis, João da Luz, foi nomeado para um cargo comissionado na Celesc. A informação foi publicada originalmente pela Folha de S. Paulo.
De acordo com o Portal da Transparência da estatal, João da Luz ocupa a função de assessor técnico desde o dia 5 de janeiro deste ano, com remuneração de R$ 22 mil. A Operação Mercadores da Morte que apura o recebimento de vantagens indevidas e o favorecimento de empresários do setor de luto.
O inquérito do MP-SC aponta que, enquanto chefiava a Secretaria de Limpeza e Manutenção Urbana na gestão de Topázio Neto (PSD), João da Luz teria agido para beneficiar empresas ligadas ao grupo investigado. Entre as suspeitas listadas pelos promotores estão a edição de decretos favoráveis às funerárias, a retirada de fiscais do setor e a prorrogação irregular de contratos.
João da Luz foi exonerado em setembro de 2024 e uma nova legislação sobre a operação de serviços funerários foi aprovada pela Câmara de Vereadores e sancionada por Topázio Neto em 2026.
A investigação do MP-SC detalha ainda o suposto recebimento de presentes de luxo por parte de João da Luz, como uma viagem de R$ 6.200 e um chinelo da marca francesa Hermès, avaliado em R$ 4 mil, que teriam sido custeados pelo empresário Gineides Varela da Silva Júnior – investigado também na Operação Caronte, que investigou cartel semelhante na cidade de Criciúma.
Em nota enviada à Folha, a Celesc afirmou que a investigação mencionada não possui relação com a companhia ou com suas atividades e ressaltou que o empregado não ocupa cargo gerencial ou de direção.
A defesa de João da Luz, conduzida pelo advogado Cláudio Gastão da Rosa Filho, nega qualquer irregularidade. “O ex-secretário vê-se hoje submetido a um processo permeado por vícios e nulidades, cuja própria existência contrasta de forma gritante com a biografia íntegra que edificou ao longo de mais de vinte anos de vida pública”, afirmou a defesa, acrescentando que há uma “tensão quase ontológica entre a realidade de sua vida e a narrativa processual”.
A Operação Mercadores da Morte é o embrião de outras frentes investigativas, como a Operação Caronte — que resultou na prisão do ex-prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro (PSD), em 2024 — e a mais recente Operação Cortejo Oculto, deflagrada pela Polícia Civil em fevereiro de 2026, que bloqueou R$ 15 milhões em bens dos investigados.







