24/02/2026

94 anos do voto feminino: democracia se fortalece com mulheres nos espaços de decisão. Por Luciane Ceretta

Artigo de Luciane Bisognin Ceretta, secretária da Educação de SC

Há 94 anos, o Brasil reconheceu às mulheres o direito ao voto. Um marco civilizatório. Um passo decisivo para que deixássemos de ser espectadoras da história e nos tornássemos protagonistas do destino coletivo. Mas a história mostra que conquistas legais não encerram lutas sociais. Elas abrem novos capítulos.

O direito ao voto garantiu às mulheres a condição formal de cidadania. Ainda assim, quase um século depois, permanece uma pergunta necessária: estamos, de fato, ocupando os espaços de poder?

Democracia não se resume à possibilidade de votar. Ela se fortalece quando diferentes vozes participam das decisões que impactam a vida de todos. Se consolida quando mulheres estão presentes nas mesas onde políticas públicas são formuladas, orçamentos são definidos e prioridades são estabelecidas. Ainda somos minoria em muitos desses ambientes.

E quando decidimos ocupar esses lugares, enfrentamos barreiras que não se apresentam da mesma forma aos homens. A violência política contra mulheres é uma realidade concreta. Ela aparece na tentativa de deslegitimar, silenciar, constranger e intimidar. Muitas vezes, não se questiona a competência. Questiona-se o direito de estar ali.

Mulheres firmes são chamadas de duras. Mulheres assertivas recebem rótulos que não seriam atribuídos a lideranças masculinas. Mulheres que entregam resultados são tratadas como exceção, quando representam uma geração preparada, qualificada e comprometida com o serviço público. Essa violência não atinge apenas indivíduos. Ela fragiliza a própria democracia.

Como gestora e educadora, acredito que a transformação começa pela formação. A escola é o espaço onde aprendemos sobre direitos, deveres, respeito e convivência. É ali que se constrói a cultura democrática que desejamos ver refletida nas instituições.

Educar meninas para reconhecerem sua capacidade de liderança e educar meninos para compreenderem o valor da igualdade não é pauta secundária. É um compromisso com o futuro.

Quando uma mulher ocupa um espaço de decisão, ela não representa apenas a si mesma. Ela amplia horizontes. Sinaliza às meninas que é possível. Reforça que competência não tem gênero.
Não basta poder votar. É preciso garantir que as mulheres possam ser votadas, respeitadas e legitimadas.

É fundamental assegurar que tenham condições reais de participar da vida pública sem sofrer ataques por aquilo que são. Precisamos consolidar ambientes institucionais onde a divergência seja política, nunca pessoal. Onde o debate seja de ideias, nunca de intimidação. A democracia amadurece quando o poder é compartilhado.

Primeira deputada federal eleita, Carlota Pereira de Queirós participou da Assembleia Constituinte 1934–1935 / Foto: Domínio Público

Celebrar os 94 anos do voto feminino é reconhecer o caminho percorrido e reafirmar a responsabilidade de avançar. Ainda há portas a serem abertas por completo. Ainda há espaços que precisam refletir melhor a diversidade da sociedade que representam.

Seguiremos trabalhando para que meninas e mulheres conheçam seus direitos e exerçam plenamente sua cidadania, com voz, presença e respeito.

Democracia de verdade se constrói com participação. E participação plena exige mulheres nos espaços de decisão.

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