14/02/2026

A força do agro não veio do plenário, veio da gestão, da sanidade e do valor agregado.

Por Letícia Schlindwein da Agro Agência Catarina — direto de Brasília

Panorama da Semana

Foi semana de entrega técnica no campo e contenção política em Brasília.

O Congresso entrou no ritmo do pré-Carnaval, a FPA deu um passo atrás na agenda formal, mas o agro seguiu em modo produção: emprego recorde no setor, sanidade reforçada (suínos e defesa agropecuária), apoio direto ao leite em Santa Catarina, alerta fitossanitário por praga invasora, feiras abrindo a temporada em clima de cautela e SC puxando valor agregado (codorna exportada em escala industrial).

No tabuleiro externo, Mercosul–UE ficou em compasso de espera, com salvaguardas avançando do lado europeu.

O saldo: menos plenário, mais resultado concreto na ponta.

Destaques da Semana

Emprego no agro bate recorde e ocupa 1 em cada 4 vagas do país
Dados do Novo Caged (Ministério do Trabalho e Previdência) mostram +41,8 mil vagas formais em 2025 na agropecuária; leitura da CNA e do Cepea/Esalq-USP aponta a safra recorde de 2025 como motor do desempenho e a cadeia inteira (insumos, porteira, agroindústria e agrosserviços) puxando contratações — com etanol, bebidas e proteína animal liderando na indústria.

SC puxa a régua da sanidade e da produção animal
Suínos: a plataforma nacional de inteligência de dados da Embrapa entra em operação com SC entre os estados com testes laboratoriais em andamento, elevando vigilância e proteção de mercado.
Liderança nacional: SC mantém a dianteira em produção e exportação de carne suína, com logística e infraestrutura como gargalos do próximo ciclo.
Aurora Coop: desempenho 2025 ancorado em escala + governança sanitária + valor agregado, com impacto regional forte e estratégia externa mais cirúrgica.

Leite em modo contenção: SC reage, Brasil ainda pede proteção
R$ 240 milhões em custeio via BRDE/Pronampe Leite para segurar a cadeia em SC (Leite Bom SC como guarda-chuva). No plano nacional, a crise segue aberta, com importações pressionando preços ao produtor e o setor pedindo medidas protetivas.

Sanidade no centro da política pública
Publicação da lei que destina R$ 83,5 milhões para emergências sanitárias (animal e vegetal) reforça o “seguro de mercado” do agro. Em paralelo, praga invasora (Amaranthus palmeri) detectada em SP acendeu alerta no PR e no país, com barreiras e vigilância ampliadas.

Mercosul–UE em compasso de espera
Votação suspensa no Parlasul e salvaguardas avançando no Parlamento europeu. Integração regional segue relevante, mas os freios setoriais limitam ganhos imediatos para cadeias estratégicas.

Feiras abrem a temporada sob cautela
Show Rural (Cascavel-PR), Itaipu Rural Show (Pinhalzinho-SC) e Show Tecnológico Copercampos (Campos Novos-SC) testam o pulso do crédito e do investimento em 2026: menos euforia, mais seletividade.

Valor agregado made in SC
Codorna catarinense vira negócio global (único estado a exportar em escala industrial), com integração produtiva, halal e porto de Itajaí como diferencial. Educação no campo reforçada com R$ 17,6 mi nas Casas Familiares Rurais (Epagri + SED).

Verdade e reputação do agro no centro do debate
O artigo “A verdade é aliada do agronegócio”, do Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC), José Zeferino Pedrozo,colocou a desinformação como risco econômico: distorce percepções, fragiliza reputações e contamina decisões públicas e privadas — tema que conversa diretamente com mercado, diplomacia e política setorial.

Agro em Alerta

  • Emprego alto não elimina risco: ciclo bom em 2025 não garante 2026 sem crédito previsível e seguro rural funcionando.
  • Sanidade é fronteira de mercado: plataforma da Embrapa e recursos federais ajudam; praga invasora mostra que vigilância precisa ser permanente.
  • Leite segue vulnerável no Brasil: ação estadual ajuda, mas importações continuam pressionando preço ao produtor.
  • Mercosul–UE com freios: salvaguardas podem postergar ganhos para carnes e açúcar; defesa comercial entra no radar.
  • Feiras sem euforia: quem não ajustar investimento à margem real pode errar a mão em 2026.

Indicadores da Semana:

  • Ibovespa (B3): 185.674,44 (+15,24%)
  • SLC Agrícola (SLCE3): R$ 16,21 (+1,00%)
  • São Martinho (SMTO3): R$ 15,88 (+5,03%)
  • Klabin (KLBN11): R$ 19,25 (+2,61%)
  • Vale (VALE3): R$ 88,99 (+23,67%)
  • Bitcoin: US$ 76.021,69 (-13,95%)
  • Solana: US$ 99,82 (-20,42%)

Leitura rápida: capital seletivo; commodities pesadas puxam índice, agro listado anda de lado; risco em cripto segue sob pressão.

Radar do Agro — Semana de 18 a 21 de fevereiro (pós-Carnaval, Brasília esvaziada)

  • Quarta (18/2 – Cinzas): retomada lenta no Congresso; bastidores sobre seguro rural e sanidade.
  • Quinta (19/2): acompanhamento de feiras em SC (Itaipu Rural Show) e sinalizações de crédito.
  • Sexta (20/2): mercado de carnes reage a fluxos externos; atenção a qualquer despacho sobre Mercosul–UE.

Expectativa: pouca agenda formal, muita costura. O jogo volta a esquentar na semana seguinte.

Visão da Semana — “Menos plenário, mais resultado”

Brasília desacelerou, o agro entregou: emprego recorde, sanidade reforçada, SC no comando do valor agregado e política pública focada em contenção de risco.

O recado do pré-Carnaval foi pragmático: quem protege mercado (sanidade), renda (crédito/seguro) e reputação (verdade) ganha competitividade. O resto é espuma.

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