Mesmo com a normalização do desempenho no campo após uma safra forte no ano anterior, a economia catarinense deve manter um crescimento acima da média nacional em 2026. Segundo projeção da Bateleur no relatório Perspectivas Macroeconômicas 2026, o PIB de Santa Catarina deve avançar 1,85%, apoiado principalmente na resiliência da indústria e na sustentação do consumo e dos serviços, em um ambiente de mercado de trabalho extremamente dinâmico. “O desempenho reflete uma economia diversificada, com motores de crescimento que seguem funcionando mesmo em um cenário mais desafiador”, destaca o CEO da Bateleur, Fernando Marchet.

Apesar do contexto de desaceleração da economia nacional, influenciado pelo patamar elevado da taxa de juros, Santa Catarina deve manter a expansão com base no avanço do comércio e serviços, favorecida pelo contínuo crescimento da renda no estado – que acumula alta de 10% acima da inflação nos últimos 12 meses – e por uma estrutura industrial diversificada e de alto valor agregado.
Desempenho por setor
▪ Agricultura desacelera, mas pecuária mantém protagonismo: Após uma safra histórica em 2024/25, a agricultura catarinense deve passar por uma normalização na próxima safra, com a produtividade das principais culturas retornando à média histórica. A pecuária, por sua vez, deve impulsionar o desempenho do agronegócio catarinense, especialmente na suinocultura e avicultura, favorecidas pelo baixo custo dos insumos e pela conjuntura de mercado positiva.
▪ Indústria avança com força em máquinas, equipamentos e alimentos: Na indústria, apesar do nível da taxa de juros, Santa Catarina segue registrando crescimento relevante. Os segmentos de máquinas e equipamentos (+7,1%) e alimentos (+5,0%) lideram a expansão, compensando a retração nos derivados de madeira (-2,1%), ainda impactados pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos. O desempenho desses setores sustenta a perspectiva de continuidade do avanço industrial ao longo do ano.
▪ Comércio cresce com salários fortes; bens duráveis seguem pressionados: O comércio tem sido impulsionado pela resiliência dos salários e pelo aumento do poder de compra da população. O consumo de bens não duráveis e semiduráveis apresentou crescimento expressivo, com destaque para hipermercados e supermercados (+7,0%) e vestuário e calçados (+2,4%). Em contraste, os segmentos de bens duráveis, como móveis e eletrodomésticos, seguem pressionados pelo ambiente de crédito restritivo.
▪ Serviços se mantêm aquecidos, com destaque para atendimento às famílias: Apesar de uma desaceleração recente, o setor de serviços permanece em patamar superior ao observado no âmbito nacional. O principal vetor de expansão tem sido os serviços prestados às famílias, que cresceram 5,0%, com avanço disseminado entre diferentes segmentos.
Desempenho por região
▪ Região Oeste – recuo agrícola e força na suinocultura e alimentos: Na Região Oeste, após uma safra expressiva, a produção de grãos deve recuar em 2025/26, com a produtividade retornando ao patamar médio histórico. O milho, por exemplo, deve registrar queda de produtividade em relação à safra anterior. Ainda assim, o setor pecuário segue em cenário favorável, especialmente para suinocultura e avicultura, sustentado pelo baixo custo dos insumos. A indústria de alimentos da região também deve manter desempenho positivo, enquanto os segmentos de madeira e derivados continuam pressionados pelas tarifas dos Estados Unidos.
▪ Região Norte – indústria resiliente em meio a juros elevados: No Norte catarinense, a indústria mantém crescimento relevante mesmo em um contexto de juros elevados. Embora o crédito restritivo afete principalmente os bens duráveis, os segmentos de máquinas e equipamentos e de equipamentos elétricos apresentam desempenho robusto, reforçando a resiliência da atividade industrial e sustentando a perspectiva de expansão, com apoio adicional dos estímulos fiscais associados ao contexto eleitoral.
▪ Vale do Itajaí – serviços intensivos em conhecimento ganham destaque: No Vale do Itajaí, o contínuo crescimento dos salários tem impulsionado o setor de serviços, especialmente em áreas intensivas em conhecimento, como tecnologia da informação, advocacia e contabilidade. O setor industrial também se destaca, com desempenho positivo em segmentos tradicionais da região, como têxteis e produtos de metal, mesmo diante do cenário de juros elevados.
▪ Grande Florianópolis – poder de compra impulsiona serviços e comércio: Na Grande Florianópolis, o crescimento dos salários e a taxa de desemprego no menor patamar da série histórica seguem favorecendo os serviços especializados e o comércio. O aumento do poder de compra da população tem gerado efeitos positivos sobre a atividade econômica local, com expectativa de manutenção do desempenho favorável, apoiado ainda pelos estímulos fiscais do período eleitoral.
▪ Região Sul – consumo em alta e indústria crescendo: No Sul do estado, o comércio também se beneficia do aumento do poder de compra, mantendo trajetória positiva. Apesar das taxas de juros elevadas, os principais segmentos industriais seguem apresentando crescimento, reforçando a resiliência da atividade produtiva e sustentando uma perspectiva de expansão, ainda que em ritmo mais moderado.
▪ Serra – retração agrícola, mas indústria e pecuária seguem firmes: Na Região Serrana, a expectativa é de retração na produção de grãos após a safra expressiva de 2024/25, com a produtividade retornando à média dos últimos anos. O setor pecuário, no entanto, segue em cenário favorável, especialmente na suinocultura e avicultura. A indústria regional deve continuar apresentando crescimento, embora alguns segmentos, como madeira e derivados, permaneçam pressionados pelas tarifas comerciais dos Estados Unidos.
Sobre a Bateleur
Com escritórios em Porto Alegre e Florianópolis, a Bateleur é referência em fusões e aquisições (M&A) e em consultoria estratégico-financeira para grandes corporações. Em seu portfólio, estão relevantes transações societárias e operações estruturadas em setores como banking, agronegócio, óleo e gás, energia, varejo, indústria, tecnologia, construção civil, educação e saúde.







