
Sextou com carteira assinada no campo
Sexta de Carnaval em Brasília é aquele silêncio constrangedor nos corredores do poder.
No agro, não: o setor fechou 2025 batendo recorde de emprego e já ocupa 1 em cada 4 vagas do país.
Enquanto o Parlamento do Mercosul adia a votação do acordo com a União Europeia e o Congresso entra em ritmo de feriado, o campo entrega resultado, amplia vagas e mostra que a cadeia produtiva da porteira à indústria – segue sendo o motor silencioso da renda no Brasil.
Notícia boa pra fechar a semana: tem gente sendo contratada enquanto a política troca o terno pelo abadá.
Agro dispara na geração de empregos e bate recorde
O agronegócio fechou 2025 com saldo positivo de 41.870 empregos formais, segundo o Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged) do Ministério do Trabalho e Previdência foi o único setor a ampliar o saldo líquido de vagas em relação a 2024.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) aponta a safra recorde de 2025 como fator central para o desempenho, especialmente pelos efeitos no primeiro semestre.
Pelo recorte do Cepea/Esalq-USP, em parceria com a CNA, o agro alcançou 28,58 milhões de ocupados no terceiro trimestre de 2025, 26,35% de todas as ocupações do país o famoso “1 em cada 4 empregos”.
O avanço veio de toda a cadeia: insumos, produção dentro da porteira, agroindústria e, principalmente, agrosserviços.
Na ponta industrial, etanol, bebidas e proteína animal puxaram contratações; no campo, a demanda acompanhou safras e níveis elevados de abate.
Tradução: o agro deixou de ser só lavoura virou ecossistema de emprego.
Mercosul–UE: votação adiada e salvaguardas no caminho
A Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul (Parlasul) suspendeu a votação do acordo Mercosul–União Europeia e a nova data ficou para 24 de fevereiro.
Do lado europeu, salvaguardas avançaram no Parlamento, reacendendo o alerta sobre limites à expansão de setores sensíveis.
Na leitura da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o acordo amplia integração e mercados, mas as cláusulas de proteção podem frear ganhos imediatos e exigirão instrumentos de defesa comercial para não engessar carnes, açúcar e cadeias estratégicas.
A diplomacia corre e o agro cobra reciprocidade.
Cosag estreia nova presidência com recado direto ao agro
A senadora Tereza Cristina assumiu a presidência do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp e abriu a agenda de 2026 com um discurso realista: o acordo Mercosul–UE abre portas, mas vem com cotas e salvaguardas; o “tarifaço” dos EUA aliviou no curto prazo, sem resolver entraves estruturais; e o setor ainda precisa enfrentar crédito caro, reforma tributária e avanço de recuperações judiciais no campo.
Ou seja, a diplomacia ajuda, mas sem política interna consistente não tem milagre exportador.
SRB reconduz comando e mira dívida e seguro
A Sociedade Rural Brasileira (SRB) reelegeu Sérgio Bortolozzo para o triênio 2026–2028, com foco em endividamento do produtor, seguro agrícola e defesa da propriedade.
Em ano de margens apertadas e risco climático elevado, a agenda da entidade vai na veia do problema: financiamento previsível e proteção de renda.
A verdade como aliada do agro
Em artigo publicado nessa semana, denominado de “A verdade é aliada do agronegócio”, José Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (FAESC) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC), colocou o dedo na ferida da desinformação contra o campo.
Para Zeferino, notícias falsas “distorcem percepções, fragilizam reputações e comprometem decisões públicas e privadas baseadas em dados equivocados”, atingindo um setor estratégico para segurança alimentar, emprego e balança comercial.
O dirigente lembra que atribuir ao campo, de forma leviana, problemas complexos como clima e meio ambiente ignora o arcabouço legal, científico e tecnológico da produção brasileira, criando prejuízos concretos: de restrições comerciais a políticas públicas desconectadas da realidade produtiva.
Ao defender transparência, informação qualificada e responsabilidade na comunicação, Zeferino é direto: “defender a verdade sobre o campo brasileiro é defender o desenvolvimento sustentável, a soberania alimentar e o futuro de milhões de famílias que produzem com responsabilidade, sob uma das legislações ambientais mais exigentes do mundo. Trata-se de um dever institucional e cívico que não pode ser relativizado”.
Inovação no radar: Mercoagro 2026 leva 20 startups a Chapecó
A Mercoagro 2026 terá o Salão da Inovação reunindo 20 startups e empresas de base tecnológica de 17 a 20 de março, em Chapecó.
O espaço aproxima soluções aplicáveis à indústria da carne e áreas correlatas, conectando tecnologia, mercado e negócios.
Em tempos de margem curta, eficiência virou diferencial competitivo e inovação deixou de ser vitrine para virar sobrevivência.
Carnaval passa, emprego fica
Enquanto Brasília esvazia, o agro enche carteira assinada.
O setor fecha 2025 com recorde de empregos, encara o Mercosul com cautela, se organiza nas entidades e cobra o básico: verdade, previsibilidade e regra justa.
Sexta de Carnaval é bom pra descansar, mas para o campo, é dia de colher resultado e planejar o próximo plantio.
Bom Carnaval, meus agroamigos!





