
Em entrevista exclusiva à colunista e ao colega Upiara Boschi, o prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), confirmou que deixará o comando do Executivo municipal para viabilizar sua candidatura ao Governo do Estado, com um grande evento marcado para o dia 21 de março, em Chapecó.
O pessedista falou sobre o projeto político que pretende apresentar aos catarinenses, bem como sobre alianças, cenário nacional e a relação com o MDB e com a Federação União Progressista. Também fez críticas ao governo estadual e defendeu a privatização da Casan como alternativa para modernizar o setor de saneamento.
Rodrigues destacou a influência que as articulações nacionais podem ter em Santa Catarina. O prefeito acredita que uma candidatura de centro-direita liderada pelo seu partido, tem viabilidade ao se posicionar como alternativa diante dos extremos — leia-se Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT). Para ele, o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), seria o nome ideal, e a possibilidade de ter o MDB como vice, com a deputada federal Simone Marquetto (MDB-SP), pode influenciar uma aliança em solo catarinense. Segundo ele, as conversas têm avançado também por aqui.
O pré-candidato ao Executivo estadual contou que tem dialogado com lideranças do MDB catarinense e que esteve na segunda-feira (9) com o senador Esperidião Amin (Progressistas), reforçando que acredita na construção de uma composição política mais ampla no Estado.
Segundo ele, há conversas intensas com lideranças da União Progressista, e a expectativa é que, ao longo de março, uma definição mais clara seja anunciada. Rodrigues classificou como “humilhante” a atual posição de Amin, ao se referir à condução do PL em relação ao senador e à deputada Carol de Toni (PL).
Privatização da Casan
Um dos pontos centrais da entrevista foi a posição do prefeito em relação à Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan). Após romper o contrato em Chapecó, Rodrigues voltou a criticar a estatal e defendeu sua privatização.
“Se eu for governador, vou promover a modernização e dar condições para que o saneamento no Estado funcione de forma eficiente. O modelo da Casan não funciona, tem que privatizar, vender com regras claras e garantia de qualidade para o cidadão catarinense. Não podemos continuar com um serviço que falha e que não entrega. Hoje é uma absoluta vergonha”, disse.
Críticas ao governo
Rodrigues também fez críticas à condução do governo estadual, que, na sua avaliação, prioriza ações de impacto midiático em detrimento da gestão prática.
“É um governo muito mais midiático do que prático. Falta empatia, falta foco nos problemas reais”, disse.
Ele citou o episódio envolvendo o cachorro “Orelha” como exemplo de exposição indevida e de interferência política em investigações.
Projeto e perfil
Ao longo da entrevista, Rodrigues reforçou que pretende centrar sua campanha em propostas e gestão, não em embates ideológicos.
“Eleição se ganha com projeto. É preciso dizer o que vai fazer, como vai fazer e com que dinheiro”, afirmou.
Disse ainda que não busca alianças apenas por conveniência partidária.
“Partido é consequência. O mais importante são as pessoas e a capacidade de gestão”, completou.
Despedida e pré-campanha
João Rodrigues confirmou que fará um grande evento em Chapecó no dia 21 de março para marcar sua saída da prefeitura e o início efetivo da pré-campanha. “Será uma despedida e também um reencontro com lideranças e amigos”, disse.
Sobre o cenário eleitoral, afirmou estar convicto da candidatura, mas reconheceu que as alianças só se consolidam até as convenções.
“A política é dinâmica. Cresce quem tem projeto. Quando cresce, as alianças vêm”, concluiu.







