10/02/2026

Dengue salta 121% em Santa Catarina e testagem vira ‘bote-salva-vidas’

Diante do avanço acelerado da dengue em Santa Catarina, que já registra um aumento de 121,4% nos casos prováveis neste início de 2026, a testagem rápida surge um bom recurso para evitar o agravamento da doença. Com o estado em alerta e 185 municípios infestados pelo mosquito Aedes aegypti, a agilidade no diagnóstico torna-se uma ferramenta de sobrevivência, especialmente durante o Carnaval, quando a circulação de pessoas atinge o ápice.

De acordo com o boletim da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE/SC) atualizado em 02 de fevereiro, o estado saltou de 947 casos prováveis em 2025 para 2.097 no mesmo período deste ano. Nesse contexto de alta demanda, a identificação precoce da infecção orienta o manejo clínico imediato e evita a sobrecarga das unidades de saúde.

Diagnóstico em Minutos e Eficácia Clínica

A grande vantagem da testagem rápida reside na velocidade de resposta. Segundo, Natália Strohmayer, especialista de produtos da Biomédica, explica que esses testes são fundamentais porque permitem a detecção da infecção ainda na fase aguda. Isso ocorre por meio da identificação do antígeno NS1, além dos anticorpos IgG e IgM.

A especialista argumenta que, como os primeiros sintomas da dengue, como febre, dor atrás dos olhos e mal-estar, são muito parecidos com os da Influenza e da Covid-19, onde o teste rápido entra como decisivo. Segundo ela, o resultado sai em poucos minutos, o que favorece a conduta médica correta logo no início da infecção, contribuindo para evitar complicações graves e promovendo a sobrevida dos pacientes.

O Papel da tecnologia na vigilância

Em um cenário onde a DIVE/SC já investiga três óbitos suspeitos e monitora a circulação dos sorotipos DENV1 e DENV2, ter um diagnóstico quase imediato facilita a logística dos serviços de saúde e permite uma resposta rápida diante de aumentos inesperados da demanda.

Strohmayer explica que a precisão tecnológica dos testes, como os da Artron Lab, transforma o balcão do laboratório ou a unidade de saúde em um ponto estratégico de controle. Para a Biomédica, o fornecimento desses insumos de última geração é o que permite transformar dados em inteligência diagnóstica, garantindo que o tratamento comece no momento em que ele é mais eficaz.

Dados em SC

O avanço da dengue em Santa Catarina está diretamente ligado à presença do vetor no território. De acordo com o monitoramento realizado entre 04 de janeiro e 02 de fevereiro de 2026, foram identificados 5.702 focos do mosquito Aedes aegypti espalhados por 218 municípios catarinenses.

A situação de alerta é agravada pelo índice de infestação: dos 295 municípios do estado, 185 já são considerados infestados. Essa classificação ocorre quando há uma disseminação consolidada e a manutenção dos focos do mosquito na região, o que eleva exponencialmente o risco de transmissão comunitária das arboviroses.

Focos do mosquito em SC. Dive/SC

Segundo o boletim da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE/SC), o estado já soma 5.476 notificações de dengue.

Deste total, 2.097 foram classificados como casos prováveis, um salto alarmante de 121,4% em comparação aos 947 casos registrados no mesmo período de 2025. Até o momento, a circulação viral, composta pelos sorotipos DENV1 e DENV2, já atinge 128 municípios catarinenses. Embora nenhum óbito tenha sido confirmado até o fechamento do relatório, três mortes estão sob investigação pelas autoridades de saúde.

Explosão de Chikungunya e presença do Zika

O cenário é ainda mais severo quando observamos a chikungunya. As notificações da doença apresentaram um crescimento de 290% em relação ao ano anterior, passando de 20 para 43 casos prováveis. Já em relação ao Zika, foram registradas 11 notificações, das quais seis permanecem como casos suspeitos.

A propagação dessas doenças é impulsionada pela alta densidade do vetor. No mesmo período, foram identificados 5.702 focos do mosquito Aedes aegypti em 218 municípios. Atualmente, 185 cidades catarinenses são consideradas infestadas, o que cria o ambiente propício para a transmissão rápida.

Etapas de distribuição pelo SUS

Aporte Federal: O Ministério da Saúde realiza a compra centralizada de milhões de kits de teste rápido (conhecidos como TR NS1). Esses kits são enviados aos estados brasileiros de acordo com a situação epidemiológica de cada região. Santa Catarina, pelo alto índice de infestação (185 municípios infestados), é considerada área prioritária.

Rede Estadual (GERSAS): Ao chegarem em solo catarinense, os testes são armazenados pela SES e distribuídos para as Gerências Regionais de Saúde (GERSAS). Existem 17 regionais no estado (como Grande Florianópolis, Joinville, Blumenau, etc.), que funcionam como centros de distribuição para os municípios de sua área de abrangência.

Abastecimento Municipal: Cada Secretaria Municipal de Saúde solicita a cota de testes baseada no número de notificações de casos suspeitos. A partir daí, os kits são enviados para as Unidades Básicas de Saúde (UBS), UPAs e hospitais públicos.

    Como o teste é utilizado na prática pública?

    Diferente do exame de sangue laboratorial (sorologia ou PCR), que muitas vezes precisa ser enviado ao LACEN (Laboratório Central de Saúde Pública) em Florianópolis e pode levar dias para o resultado, o teste rápido distribuído aos municípios é feito na própria unidade de saúde.

    • Critério de Uso: O protocolo da DIVE/SC orienta que o teste seja aplicado em pacientes que apresentam sintomas de dengue (como febre alta e dor atrás dos olhos) há, no máximo, cinco dias.
    • Vantagem Estratégica: Como o resultado sai em cerca de 20 minutos, o médico do SUS pode classificar o risco do paciente imediatamente. Se o teste for positivo para o antígeno NS1, a equipe de saúde já inicia a hidratação e o monitoramento, o que é vital para conter o avanço de 121,4% nos casos registrados em 2026.

    A Inteligência por trás da Testagem

    Empresas do setor privado, como a Biomédica, desempenham um papel técnico complementar nesse ecossistema. Ao fornecerem tecnologias como a da Artron Lab, elas garantem que tanto o setor público quanto o privado tenham acesso a insumos que detectam o vírus logo na fase aguda.

    Essa capilaridade da testagem rápida nos municípios é o que permite que Santa Catarina consiga monitorar em tempo real a circulação dos sorotipos DENV1 e DENV2, garantindo que o diagnóstico chegue antes do agravamento da doença, especialmente em períodos críticos como o Carnaval.

    Para barrar o avanço da dengue em Santa Catarina, a regra é clara: elimine qualquer acúmulo de água parada. O foco deve ser semanal, verificando desde pratos de vasos e calhas entupidas até garrafas vazias e pneus. Como o estado já registra uma alta de 121,4% nos casos, o uso de repelentes é indispensável para proteção individual, especialmente em áreas infestadas. Se houver sintomas como febre alta ou dor atrás dos olhos, procure imediatamente uma unidade de saúde para a testagem rápida, garantindo o diagnóstico em minutos e o início do tratamento antes que o quadro se agrave.

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