09/02/2026

Colombo espera pelo TSE e por antigos aliados

Raimundo Colombo — sem mandato eletivo desde abril de 2018 — não tem passado seus dias apenas focado na produção de gado das raças Braford e Hereford, da fazenda Mãe Rainha, na Coxilha Rica. Está com um olho em Brasília, onde amanhã ocorre o julgamento do senador Jorge Seif (PL), e outro nas articulações políticas do Estado.

Raimundo e Eduardo Moreira: parceria com MDB garantiu três vitórias

O julgamento de Seif, no TSE, foi transferido para esta terça-feira, dia 10. Ele pode perder o mandato por abuso do poder econômico na campanha de 2022. Mas esse cenário é improvável. Ele também pode ser absolvido, como já foi no TRE, ou algum ministro pode pedir vista, prorrogando o julgamento.

Para que Seif seja cassado e Colombo se transforme em senador até 2030, é preciso que ocorra um alinhamento dos planetas — daqueles que ocorrem a cada 180 milhões de anos. Primeiro, o TSE tem de cassar seu mandato; segundo, tem de decidir que o segundo colocado assuma sem nova eleição. Hoje, a decisão do STF é por nova eleição.

Enquanto não sai a sentença, ele tem mantido conversas com antigos aliados da política catarinense que, ao longo do caminho, acabaram se distanciando. Entre os interlocutores, estão integrantes do MDB, partido que foi seu aliado nos dois governos, oferecendo o vice-governador Eduardo Moreira e mantendo secretarias de ponta.

Colombo também analisa a situação política do Estado com lideranças como Gelson Merísio e seus companheiros de partido, João Rodrigues, Julio Garcia e Eron Giordani. Em todas as conversas, ele não descarta a volta ao cenário político, independentemente do que ocorra no TSE.

Deputado federal ou governador

Nos bastidores da política, especula-se que Raimundo Colombo possa concorrer a deputado federal, representando a região serrana. Com a eleição de Carmen Zanotto (Republicanos) para a Prefeitura de Lages, sobrou um grande espaço para a disputa ao Congresso Nacional.

Colombo, em recente entrevista ao Upiara.net, não confirmou nem descartou a ideia. Entretanto, nas últimas semanas, após os movimentos de Jorginho Mello no xadrez eleitoral, aliando-se ao Novo, seu nome começou a ser apontado até como possível candidato a governador, numa grande frente para enfrentar a reeleição do governador.

Principais vitórias de Colombo foram com o MDB

Raimundo Colombo foi forjado na antiga Juventude Democrática, o braço de “iniciantes” da política do antigo PDS, capitaneado em Santa Catarina por Jorge Bornhausen.

Jovens lideranças eram “pinçadas” no interior do Estado e colocadas no governo, sendo preparadas para se tornarem lideranças políticas. Além de Raimundo, quadros como Ênio Branco (ex-presidente da Celesc), Paulo Bauer (vice-governador, senador e deputado federal) e Wilson Wandall(conselheiro do TCE), entre outros, são dessa mesma escola.

Antes do PFL se unir ao MDB, Colombo já havia sido deputado estadual, deputado federal e prefeito de Lages por três vezes. Em 2006, quando Luiz Henrique (MDB) disputou a reeleição ao Governo do Estado, foi seu senador (naquela eleição, havia apenas uma vaga), elegendo-se com 1,7 milhão de votos.

Depois, Luiz Henrique tratou de conciliar os interesses internos do MDB (e também do PSDB) e fez de Colombo seu sucessor em 2010, sendo reeleito em 2014. Em 2018, concorreu novamente ao Senado, mas desta vez coligado com o PP, de Esperidião Amin, e acabou perdendo para o próprio Amin e Jorginho Mello (PL).

Em 2022, tentou o Senado mais uma vez, numa coligação que tinha o ex-prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro (UB), como cabeça de chapa. Ficou em segundo lugar, perddendo para o então pouco conhecido Jorge Seif (PL), embalado pela onda bolsonarista.

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