Florianópolis chega ao Carnaval de 2026 consolidada como uma referência nacional em saúde pública. A capital catarinense ostenta a primeira posição no ranking de queda de incidência de HIV nos últimos cinco anos, com uma redução de 29%, mas não pretende estacionar nesse número. Este ano, uma estratégia de guerrilha leva a prevenção para dentro dos bares, casas noturnas e saunas do Centro Leste e de outros pontos estratégicos da Ilha, garantindo que o cuidado esteja presente exatamente onde a diversão acontece.
A ação não é um fato isolado, mas o resultado de um trabalho intenso da Comissão Municipal de HIV/aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Em parceria estratégica com a Secretaria Municipal de Saúde e movimentos sociais, um grupo técnico de especialistas e ativistas assina o projeto.
Fazem parte desta comissão nomes fundamentais da Secretaria Municipal de Saúde.
Além das equipes da Prefeitura, a sociedade civil é representada por agentes como Marcelo Pacheco Freitas, Leticia Borges de Assis, Oliê Cárdenas, Matheus de Luca, Laurinha Brelaz, Ariel Lavezzo e Thales Alves.
O papel desses educadores é humanizar a saúde, utilizando o diálogo direto para desmistificar temas técnicos e garantir que a proteção chegue a todos de forma acessível. Como eles mesmos definem:
“Carnaval é a nossa maior festa popular. Nela todo mundo se relaciona de forma democrática e, nós educadores populares, queremos que a prevenção também seja democrática. Por isso, fazemos esse trabalho corpo a corpo para que as pessoas se sensibilizem e se previnam não só para o HIV, mas para todas as ISTs.”, destaca Letícia de Assis.
Insumos no balcão: Onde e como encontrar proteção
A parceria com os estabelecimentos de entretenimento garante que displays e totens informativos estejam sempre abastecidos e visíveis em locais estratégicos como banheiros, caixas e áreas de circulação. O objetivo é reduzir barreiras e eliminar o constrangimento na hora de buscar proteção. Os kits gratuitos disponibilizados incluem preservativos internos e externos, com destaque para os novos modelos texturizados e extrafinos, além de gel lubrificante, que é essencial para o conforto e para evitar rompimentos do látex.



Além dos métodos de barreira, a prefeitura distribui autotestes de HIV. Essa tecnologia funciona de forma semelhante a um teste de gravidez de farmácia, onde a pessoa coleta uma amostra de fluido da gengiva ou uma gota de sangue e obtém o resultado em cerca de 20 minutos, com total privacidade. É uma ferramenta de extrema importância para o diagnóstico precoce, visto que, em 2024, cerca de 19% dos novos casos na cidade foram descobertos já em estágio avançado.

Prevenção Combinada: O uso da PEP e da PrEP
A estratégia de 2026 aposta na Prevenção Combinada, que oferece diferentes camadas de proteção para diferentes situações. Segundo o médico de família Ronaldo Zonta, membro da comissão municipal de HIV da Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis, explica melhor o assunto.
“O Carnaval aumenta o contato físico e as relações ocasionais, por isso a prevenção é essencial. Ele explica que, além do uso do preservativo e do lubrificante, é fundamental conhecer as alternativas, como a PEP para prevenir o HIV em casos de urgência, quando não se usou o preservativo ou ele estourou, disponível em até 72 horas nas UPAs, e a PrEP, voltada para quem busca uma camada extra de proteção contínua contra o vírus”, explica.
Para entender como Florianópolis se tornou referência, é preciso mergulhar no conceito de Prevenção Combinada. Essa estratégia rompe com a ideia antiga de que apenas a camisinha salva. Hoje, a saúde pública trabalha com uma “mandala” de opções, onde o folião combina diferentes métodos de acordo com sua vida e o momento da festa.
Aqui estão os detalhes fundamentais para entender essas tecnologias que estão disponíveis gratuitamente no SUS:
Para entender a estratégia de Florianópolis, é preciso conhecer a Prevenção Combinada. Esse modelo oferece um cardápio de opções para que cada pessoa escolha a melhor forma de se proteger, entendendo que o uso da camisinha pode ser somado a outras tecnologias avançadas do SUS.
As ferramentas combinadas dessa estratégia, além da camisinha e do autoteste, são a PrEP e a PEP:
PrEP (Antes do contato)
A Profilaxia Pré-Exposição é o cuidado antecipado. A pessoa toma o medicamento de forma programada para que, caso haja contato com o vírus HIV, o corpo já tenha uma barreira química que impeça a infecção. É ideal para quem deseja uma proteção contínua e busca uma camada extra de segurança além do preservativo.
PEP (Depois do contato)
A Profilaxia Pós-Exposição é a medida de urgência, o “plano B” da saúde. Ela é indicada para quem passou por uma situação de risco, como o rompimento da camisinha ou a relação desprotegida. O tratamento dura 28 dias e deve ser iniciado em até 72 horas após o ocorrido. Durante o Carnaval, o atendimento é feito nas UPAs 24h.
Por que “Combinada”?
A prevenção é chamada de combinada porque une esses medicamentos ao uso de preservativos, gel lubrificante, testagem regular e vacinação (como contra o HPV e Hepatite B). Em Florianópolis, a Comissão Municipal trabalha para que o cidadão tenha autonomia: se uma barreira falhar, existem outras prontas para entrar em ação.





