Artigo de João Paulo Borges, conhecido como JP do Whats, jornalista.

Planejamento, diagnóstico e engajamento antecipado transformam intenção em vantagem real
Quando grande parte dos pré-candidatos pelo Brasil ainda considera janeiro, fevereiro e março como um período de “pré-temporada”, aqueles que entendem profundamente a dinâmica da comunicação política sabem que esse é, na verdade, o momento decisivo de construção. É tempo de estabelecer os alicerces que definirão capacidade de mobilização e credibilidade e reputação ao longo de todo o ano.
Esse período inicial do ano, livre do ruído eleitoral intenso, é uma janela rara em que a liderança e as estratégias podem ser testadas, refinadas e percebidas sem os condicionamentos e as pressões diretas da disputa formal, que começa em agosto. É aqui que se constrói narrativa de longo prazo antes que o calendário eleitoral imponha urgências, métricas e dinâmicas reativas.
Antes de tudo, esse tempo deve ser aproveitado para ouvir de fato. Ouvir não é coletar meros números de intenção de voto ou métricas de vaidade. Aproveite para realizar pesquisas qualitativas e quantitativas que revelem percepções profundas, problemas concretos da comunidade e a linguagem que a população realmente usa e valoriza. Essa escuta ativa não apenas informa estratégia, define a direção do discurso que será percebido como legítimo e conectado com os anseios da população.
Com dados e insights de campo, é possível trabalhar a narrativa de forma orgânica. Construir narrativa nesse momento é estabelecer o eixo de valores e prioridades que guiará toda a comunicação futura. Trata-se de dar forma a uma jornada de significado, uma narrativa que faz sentido para o eleitor antes mesmo de chegar o momento de pedir explicitamente o voto.
Essa narrativa não é um slogan ou um roteiro de campanha; é uma linha de propósito que conecta o candidato às preocupações reais das pessoas, estruturando um sentido de identidade política.
Ao mesmo tempo, é imprescindível investir na construção de relacionamentos duradouros. Isso significa mapear lideranças locais e formadores de opinião, não com a intenção de obter um endosso público imediato, mas para compreender estruturas sociais, fluxos de influência e prioridades comunitárias. Esses relacionamentos constituem uma base de confiança que é a verdadeira moeda da política.
A presença digital também deve ser trabalhada nesse período, mas com um foco muito mais sofisticado do que meramente “estar presente”. Construir presença digital antecipada cultivando espaço de autoridade: produzir artigos, análises, mensagens via WhatsApp e vídeos em que se demonstra domínio de temas centrais, coerência de pensamento e maturidade na abordagem dos desafios públicos. Esse conteúdo serve a uma dupla função: não apenas informar e engajar, mas também consolidar a percepção de que o candidato é um agente competente e preparado.
Organizar a equipe e a infraestrutura nesse momento é mais uma vantagem que muitos concorrentes negligenciam. Estruturar processos internos claros, definir papéis, treinar porta-vozes e criar mecanismos de revisão de conteúdo garantem que, quando a campanha formal começar, não haja um problema operacional atrapalhando a consistência da mensagem. Planejamento antecipado evita decisões precipitadas sob pressão e libera energia para focar no que realmente importa: construir confiança.
A fase inicial é formativa. Quem não a aproveita corre o risco de, posteriormente, tentar compensar com marketing agressivo aquilo que deveria ter sido construído com antecedência: consistência narrativa, compreensão do eleitorado e relacionamentos genuínos. Estratégias de curto prazo raramente conseguem corrigir déficits que nasceram de uma preparação superficial quem podem vir de muito antes.
Em política, vantagem não é medida pelo primeiro post, pelo maior anúncio ou pelo disparo mais volumoso. Vantagem é construída no planejamento constante, na atenção dedicada às percepções reais, na narrativa que não muda conforme os ventos, as trends – ou qualquer coisa que esteja em alta – e nos vínculos de confiança que resistem à volatilidade dos ciclos eleitorais.
Janeiro, fevereiro e março são o período em que se começar a decidir quem vai disputar de verdade e quem vai apenas participar. Enquanto muitos descansam, aqueles que agem estão arquitetando, com método, o que poderá ser a diferença entre liderar e apenas aparecer.
Sobre meu trabalho
Ao longo dos últimos anos, eu tenho acompanhado esse “campeonato” bem de perto, atuando diretamente na organização de pré-campanhas, na construção de relacionamento com lideranças estratégicas e no desenho de estratégias de comunicação e mobilização digital antes do calendário eleitoral apertar. Com mais de 10 anos de experiência em marketing político e mergulhado em projetos de WhatsApp, relacionamento e engajamento, aprendi, na prática, que janeiro, fevereiro e março são meses decisivos para quem leva campanha a sério. Bora fazer diferente esse ano?






