No olho do furacão político, a deputada federal Carol de Toni (quase ex-PL) concedeu entrevista à Rádio Studio FM e, pela primeira vez, falou abertamente sobre sua saída do partido e a articulação política que a levou a isso.

Em síntese, Carol disse que a vaga nunca foi dela e que o acordo do PL com o PP será cumprido. A parlamentar disse, ainda, que, no acordo, o PP teria exigido garantias de que ela não seria candidata ao Senado, para não atrapalhar a viabilidade da eleição de Esperidião Amin. Veja o que ela disse durante a entrevista ao apresentador Willliam Fritzke:
“Eu não tenho outra opção. Eu quero ficar no PL, mas eu não tenho outra opção, e eu vou contar pra vocês, em primeira mão, os bastidores do que está acontecendo. Quando eu cheguei, eu quero agradecer ao Valdemar (da Costa Neto, presidente do PL) pela sinceridade que ele teve comigo em público. Ele foi muito transparente com o acordo nacional que ele está fazendo com a União e com o PP, ou seja, com o Rueda e com o Ciro, em vários estados do Brasil. Eu acredito que chegue a contemplar sete estados do Brasil.
E eles sentaram pra conversar, né? E um dos estados que envolve a articulação é Santa Catarina. Algo que o PP pediu foi a vaga do Amin, né? E a condicionante, e aí que vem a questão, não foi só pedir a vaga do Amin, mas condicionar o acordo a que eu não fosse candidata ao Senado, justamente pra não atrapalhar a viabilidade eleitoral do Amin. Ou seja, o Amin queria a garantia de que eu não fosse candidata.
E eles estão considerando que, mesmo que eu saia do partido e seja candidata, o acordo não estará cumprido. Então, a única forma de garantir que eu não seja candidata, neste momento, é me manter no PL e, assim, me enrolar e depois dizer que eu não vou poder ser candidata por isso. Sair do PL é a única alternativa que eu tenho se eu quiser ser candidata ao Senado.
Eu quero que as pessoas entendam que o meu desejo é ficar no PL, mas, se eu fico no PL, é a minha morte política. Eu vou falar uma coisa que eu tenho que dizer, da verdade: isso não é culpa do Jorginho, tá? Porque o Jorginho esteve no Rio em dezembro e, em janeiro, por duas oportunidades, e ele entendeu que a melhor composição para a chapa dele seria eu e o Carlos. E, tanto tempo depois, teríamos chapa pura, e realmente não fomos para Brasília com a expectativa de que seria chapa pura.
E o Valdemar falou claramente para mim o seguinte: ‘Não, Caroline, não vai ser chapa pura. E, se o Jorginho quiser chapa pura, eu vou intervir no partido. O Jorginho não vai conseguir chapa pura porque eu tenho os meus acordos aqui em Brasília’. Ou seja, a culpa não é do Jorginho Mello.
Inclusive, eu falei com o Jorginho ontem. Falei: ‘Jorginho, eu estarei contigo na chapa se você quiser. Eu só vou estar em outra sigla, mas nada muda pra mim. Se quiser que seja Adriano vice, Carol e Carlos, nós vamos conseguir realizar isso, mas eu vou estar em outra sigla. Só isso que vai mudar’. Então, de minha palavra, o meu acordo continua. Você pode contar comigo e vamos estar juntos.”
As informações que já eram de conhecimento nos bastidores agora foram tornadas públicas pela deputada e expõem os bastidores do acordo nacional entre a federação União Progressista e o PL, além de apontar o receio de uma candidatura de Carol de Toni, que tem liderado pesquisas de intenção de voto em Santa Catarina.
Nesse contexto, os apontamentos da deputada estadual Ana Campagnolo (PL), que liderou um movimento no estado, de que a candidatura de Carlos Bolsonaro tiraria a vaga de Carol, estavam corretos. Campagnolo, ao que tudo indica até o momento, tinha mesmo razão.




