3 de fevereiro de 2026

Julgamento de Jorge Seif movimenta bastidores

O julgamento do senador Jorge Seif (PL), acusado pela coligação Bora Trabalhar — de Gean Loureiro e de Raimundo Colombo — de abuso do poder econômico na eleição de 2022, será só na quinta-feira (5), mas já está mexendo forte com os bastidores da política catarinense.

Seif, que já foi absolvido pela Justiça Eleitoral de Santa Catarina, tem declarado que está tranquilo, acreditando que manterá seu mandato. Mas, mesmo em seu partido, o PL, a movimentação é grande caso ele perca o mandato.

Se Jorge Seif for cassado, tudo leva a crer que teremos nova eleição. O STF decidiu sobre o assunto em novembro de 2023, no caso da senadora Selma Arruda, do Podemos do Mato Grosso, que acabou sendo cassada.

Prevalecendo essa tese, Seif pode estar solucionando um grande problema que está no colo do governador Jorginho Mello (PL). Com uma nova eleição, ele poderia acomodar Carol de Toni ou Carlos Bolsonaro nessa eleição e abrir vaga para Esperidião Amin (PP) na sua chapa à reeleição, garantindo o horário eleitoral da Federação União Progressista, hoje maior que o próprio PL.

Por outro lado, dentro do PL há outras pessoas interessadas na vaga, como a deputada federal Julia Zanatta, que também está na fila pelo Senado. Adiou o projeto só por causa da vinda de Carlos Bolsonaro para Santa Catarina.

Antes do surgimento de Carlos Bolsonaro em Santa Catarina, ela era, junto com Carol de Toni, uma das possíveis candidatas ao Senado.

E Raimundo Colombo, como fica?

Segundo colocado na eleição de 2022 para o Senado, o ex-governador Raimundo Colombo (PSD), um dos autores da ação, corre por fora, movimentando-se nos bastidores da política. Para isso, conta com o apoio do presidente nacional do PSD, o bem articulado Gilberto Kassab.

No processo que cassou Selma Arruda, o atual ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, tomou posse interinamente e acabou sendo eleito em eleição suplementar. Ele é senador até hoje e está licenciado para ser ministro.

A hipótese de Colombo assumir definitivamente com a cassação de Seif — como chegou a correr nos meios políticos — fica cada vez mais distante com a decisão do STF, que definiu por eleições suplementares. Mas, se Seiffor cassado, Raimundo poderá assumir interinamente e levar o caso ao STFtentando evitar nova eleição.

Assunto pode ser “embarrigado”

Mesmo diante de todas as hipóteses — Seif ser cassado ou absolvido; nova eleição ou Raimundo assumir — ainda existe a possibilidade de um dos ministros pedir vista no julgamento e adiar por mais um período a decisão.

O bolsonarismo — corrente política à qual Seif pertence — acredita quetem dois ministros do STF compondo o TSE: André Mendonça e Nunes Marques (atual vice-presidente).

Portanto, tudo pode acontecer no próximo dia 5 — ou até nada.

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