1 de fevereiro de 2026

“Livros Restantes” coloca Barra da Lagoa na telona. Por Zeca Pires

Artigo de Zeca Pires, cineasta

Assisti ao filme “Livros Restantes”, da cineasta catarinense Márcia Paraíso com Denise Fraga e grande elenco local. Sentei nas primeiras filas, como sempre faço, para assistir ao filme antes de todos os demais espectadores, como sempre brinca comigo o cineasta Sylvio Back (88 anos) que também prefere as cadeiras próximas à tela.

Sentar atrás só nas comédias, porque quem ri por último, ri melhor. Brincadeiras à parte, me apressei a escrever estas linhas, não como crítico, que não sou, mas como cinéfilo, artista e admirador de coisas boas.

A direção segura de Márcia Paraíso consegue agregar Denise Fraga e Augusto Madeira contracenando com Vanderléia Will (Dona Bilica), Renato Turnes, Manuela Campagna, Andréa Buzato, Joana dos Santos, Marcinho Gonçalves, Severo Cruz, Paulo Vasilescu, Valdir Agostinho e Adriano Brito, estrelas que você pode encontrar nas ruas e nos palcos da Ilha.

Posso dizer, que os atores locais conseguem devolver uma bola de muita qualidade para as experientes Denise Fraga e Augusto Madeira, que entram no jogo com todo as suas habilidades e posso dizer também com a generosidade e humildade dignas dos melhores talentos e capaz de empolgar e tirar o melhor dos nossos artistas.

Neste ponto tenho que sublinhar, o desempenho da Dona Bilica – com uma convincente maquiagem de envelhecimento – que interpreta a mãe de Ana (Denise Fraga) com a altivez de uma matriarca sintonizada com as novas gerações representadas pela própria Ana, seu irmão Sérgio (Renato Turnes) e a neta Sofia (Manuela Campagna).

O tio é Severo Cruz em sua exuberância e a cunhada (Joana dos Santos) que roubam a cena no almoço de despedida de Ana para Portugal e, surpreendentemente, acontece a revelação da pedofilia do tio, o malandro representado por Severo.

Barra da Lagoa é o principal cenário da trama – cuja temática e as imagens estão sincronizadas na poesia. A água é um elemento estrutural, junto com a literatura, no arcabouço dramático do roteiro.

No mar, na chuva e no rio, a presença da água retrata a aura da feminilidade da Pachamama, “Mãe do Mundo”, marcantes também na força das atrizes Denise Fraga, Vanderléia Will, Manuela Campagna, Andréa Buzato e Joana dos Santos.

Posso dizer ainda que o cinema de Márcia Paraíso, Cíntia Bittar, Maria Emília de Azevedo e de Lelette Couto despontam nacionalmente com a essência de um olhar feminino catarinense.

Digo catarinense no bom sentido da diversidade, da generosidade, do colorido e não como o adjetivo ruim que a maioria dos políticos e os extremistas de direita teimam em queimar nossa imagem para o Brasil. Mas, isso são outros quinhentos.

E como não se pode falar em Barra da Lagoa sem a música e a presença de Valdir Agostinho, não dá prá falar da música da Ilha sem ouvir Zininho e Dazaranha. Todos eles estão no filme. “Deixa a porta aberta” de Zininho, cantada pela sambista Maria Helena e também numa versão harmoniosa na chegada de Ana em Lisboa, lembrando um fado português, encaixa como uma luva na temática do filme.

Não dei a sinopse e nem spoiler, quem quiser saber a história do filme que prestigie esta bela película de nosso cine. Aliás, listei inúmeros motivos para quem gosta desta Ilha prestigiar “Livros Restantes”. O filme está em cartaz na maioria dos cinemas da cidade. Ao meu ver, uma obrigação assisti-lo!

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