1 de fevereiro de 2026

Os sinais que antecedem uma crise de imagem

As crises de imagem, que em muitos casos têm poder de destruir reputações, guardam semelhança com acidentes aéreos. Parece exagero, mas vou explicar: na aviação, costuma-se dizer que não há uma causa única para a ocorrência de desastres. É uma sequência de erros ou negligências que acabam tornando o acidente irreversível.

Também no mundo corporativo, na política ou com as pessoas, ocorre a mesma coisa. Os sinais sempre vêm antes e você precisa estar atento para evitar que a situação se agrave. Prevenir é sempre melhor que gerenciar uma crise. Então, fique atento: o sinal pode ser bastante prosaico – um atendimento descortês, um fato aparentemente menor que é negligenciado, a arrogância de achar que errados são os outros, a propensão a fazer ouvidos de mercador para feedbacks negativos e a sensação de poder que faz acreditar que tudo é possível. A lista é imensa.

Recentemente, uma grande marca de luxo se viu às voltas com uma crise de imagem. Analisando a atuação da empresa para conter os danos, é possível perceber que houve uma comunicação truncada na gestão da crise, o que ampliou a voz dos detratores.

Existem muitos especialistas no universo do luxo que podem analisar com maior propriedade uma das maiores polêmicas do início de 2025. O que eu quero apontar aqui é o fato de que um descuido ou negligência em qualquer etapa de produção do trabalho pode desencadear uma crise de reputação que em poucas horas têm enorme poder de destruição – como ocorre na aviação. Portanto, o monitoramento constante, a escuta permanente do cliente, a leitura do ambiente político ou econômico e, principalmente, os aprendizados vividos, são essenciais para uma melhor condução da próxima crise, que sempre virá.

A Comunicação: sempre ela

A comunicação na crise também é fundamental. Num primeiro momento, costuma ocorrer algo muito comum na alta gestão das empresas: a fase da negação. Os executivos querem muitas vezes brigar com os fatos, dando respostas cheia de poréns, que não convencem a opinião pública e fazem perder tempo no processo de controle da narrativa, que é o mais importante.

Entregar a comunicação de crise exclusivamente para advogados também não é uma atitude sensata. Geralmente, a marca se afasta do tom conciliador, e acaba fazendo manifestações mais duras e até ameaçando com processos. Ora, alimentar a crise só prolonga o sofrimento, além de gerar mais stress e buzz nas redes.

O ideal é que o trabalho de advogados e especialistas em comunicação seja feito em conjunto, já que uma crise de imagem extrapola o universo jurídico. No caso em questão, após várias tentativas de esfriar a polêmica, a marca acabou pedindo desculpas e descontinuando os produtos de uma linha de produção. Com essa atitude, saiu dos trending topics. Agora é avaliar internamente a gênese da crise, promover melhorias e administrar o prejuízo.

Na próxima coluna, a história incrível do maior especialista em crises de imagem que virou personagem de um escândalo rumoroso. 

Os colunistas são responsáveis pelo conteúdo de suas publicações e o texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Upiara.