25/03/2026

Moradores atingidos por rompimento de reservatório questionam indenizações da Casan

Grande parte das famílias atingidas pelo rompimento do reservatório da Casan, em Florianópolis, se sentem injustiçadas com as propostas de ressarcimento feitas pela companhia. A afirmação parte dos representantes dos moradores durante reunião da Comissão Mista da Assembleia Legislativa criada para apurar o caso.

Na ocasião, foram ouvidos João Pedro Moraes e Rodrigo Timm, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), que tem assessorado os moradores locais.

No início do encontro, o representante do MAB esclareceu que a entidade buscou desde o dia do acidente, em 06 de setembro, auxiliar a comunidade, passando orientações sobre os direitos e procedimentos das vítimas. O Movimento contribuiu ainda para instituir a Comissão de Moradores para realizar o diálogo com a Casan.

Timm destacou que, diferente do que aconteceu no rompimento da lagoa de evapotranspiração na Lagoa da Conceição, neste desastre, a Companhia não apresentou Edital estabelecendo os critérios para as indenizações e optou por realizar tratativas individualizadas com as vítimas.

– A Casan teve uma postura de buscar tratativas individualizadas, sem estabelecer parâmetros comuns. Uma família conversou com um funcionário e foi aplicada uma metodologia. Para outra família foi adotada outra metodologia. Então, hoje o que fica é o sentimento de injustiça.

Pela terceira vez, o morador do Monte Cristo João Pedro Moraes foi afetado por acidentes envolvendo o reservatório. O primeiro aconteceu em 2017 e causou danos em nove casas da comunidade. Sobre o episódio anterior, o morador ainda busca na justiça o ressarcimento. Agora, já recebeu uma indenização da Casan, mas não ficou satisfeito. “Ou você pega o que eles oferecem ou vai para a justiça”, disse.

Na primeira reunião com convidados, o presidente da Casan, Edson Moritz, afirmou que de 10% a 20% dos casos não chegariam a um acordo e seriam judicializados. Desta forma, o relator da Comissão, deputado estadual Mário Motta (PSD), questionou se este número procede ou se é maior.

– O morador está aceitando, é obrigado a receber o que oferecem para não ir para a justiça. As famílias são obrigadas ainda a assinar um termo de quitação e então não têm direito a mais nada – disse João Pedro.

Segundo o deputado Mário Motta (PSD), a comissão cumpriu papel social ao abrir espaço aos moradores atingidos.

– A intenção era que essas informações fossem debatidas em reunião com a presença do presidente da Casan, que não pode comparecer nesta data, mas será convidado a participar na semana que vem. Desta forma, vamos levar os questionamentos dos atingidos nesta próxima oportunidade”, ressaltou o deputado Mário Motta.

Na sequência, o deputado estadual Marquito (Psol) solicitou que no relatório final da Comissão, conste que, nestes casos, a Casan tenha que contratar assessoria técnica independente para a condução dos processos e para a definição das metodologias de atendimento e indenizações.

Na terça-feira seguinte está prevista a participação do engenheiro Hugo Rohden, gestor do contrato, que fazia a ponte entre a Companhia e o engenheiro da Toposolo, responsável pela elaboração do projeto estrutural do reservatório. Na mesma data, a Comissão também irá convidar novamente o presidente da Casan, Edson Moritz.

O Colegiado deve também receber profissionais da Gomes & Gomes, possivelmente no dia 12 de dezembro. A empresa não pôde participar na data sugerida inicialmente.

Criada no dia 11 de outubro, a Comissão Mista é composta pelos deputados Ivan Naatz (PL), presidente; Marquito (Psol), vice-presidente; Mário Motta (PSD), relator; e pelos deputados Maurício Peixer (PL) e Lunelli (MDB) como membros.

A Comissão é formada por parlamentares da Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público e da Comissão de Turismo e Meio Ambiente e tem um prazo oficial de 60 dias para concluir os trabalhos.

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